Monday, August 30, 2010

Associação sugere criação de museu e visitas para recuperar farol do Bugio

In Público (30/8/2010)


«A Associação Espaço e Memória, de Oeiras, sugere a criação de um museu e a organização de visitas guiadas no Verão ao "degradado" farol do Bugio, para recuperar e aproveitar aquele espaço com mais de 400 anos de história.

Numa visita guiada organizada pela associação, mediante autorização da Direcção-Geral de Faróis, é possível ver brechas na estrutura, antigos instrumentos ferrugentos e esquecidos, e entulho acumulado naquilo que eram, antigamente, as casas dos faroleiros e na capela do farol. "O que justifica a existência do Bugio não está lá como demonstrativo a quem o visite, porque enquanto espaço de fortificação é preciso puxar muito pela imaginação para compreender o que se lá passava, e enquanto farol já não tem faroleiros, nem está lá o que fazia parte do seu quotidiano: as casas, os geradores, as comunicações", descreve Joaquim Boiça, presidente da associação, citado pela Lusa.

Filho, neto e bisneto de faroleiros, Joaquim Boiça acredita que o Bugio "poderia ser, com a boa vontade de algumas instituições, um dos espaços mais emblemáticos para visitar na cidade de Lisboa".

A associação acredita que "nos meses de Primavera e Verão seria possível organizar visitas", de modo "a dinamizar aquele espaço, dar a conhecer e preservar parte das memórias que ainda lá estão, sobretudo na zona da capela". Joaquim Boiça defende "uma museografia diferente para aquele espaço, pensada para acolher exposições sazonais". No entanto, lembra que, há dez anos, quando aquele farol foi alvo de obras de recuperação pela última vez, "o processo foi complicado": "Foi necessário sentar à mesa cerca de 20 instituições para recuperar o farol, que ameaçava ruir." Construído para defender a entrada de Lisboa, o forte do Bugio ficou concluído em 1657. Desde cedo começa a servir também de farol, albergando faroleiros até ao final da década de 80 do século passado.»

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F-O-R-Ç-A!

Vila Arriaga (Mte. Estoril)/recusamos novo atentado ao património!






Exmo. Sr. Presidente,
Dr. António d' Orey Capucho,


Como é do conhecimento de V.Exa., a defesa do património edificado do concelho e a protecção dos logradouros são causas que nos mobilizam enquanto movimento de cidadania.

Nesse sentido, e face a terríveis experiências recentes, mormente o súbito desaparecimento, claramente ilegal (porque já estava demolido antes de estar aprovado o Alvará de Construção Nova e Demolição), da moradia denominada «Monte Branco», episódio lamentável e por explicar quanto ao apuramento de responsabilidades e às informações falsas prestadas pelos serviços; e porque não gostaríamos de voltar a passar por semelhante experiência, serve o presente para alertar V.Exa. para a situação da «Vila Arriaga», sita ao que resta do Hotel Miramar, uma vez estranharmos que:

- Esta moradia, apesar de estar em muito bom estado de conservação (facto comprovado pelas fotografias apensas ao respectivo processo) e ser claramente um exemplar a preservar pelo que apresenta de característico do Monte Estoril, enquanto arquitectura de veraneio do príncipío do séc. XX, estranhamente, não conste no Inventário Municipal recentemente actualizado, embora a moradia imediatamente o seguir, conste;

- A CMC tenha aprovado uma Informação Prévia (Proc. Nº 1105/2008) em 4.6.2010 com base num parecer favorável do responsável pelo Dep. Urbanismo, quando em 30.12. 2009, o mesmo responsável elaborara parecer diametralmente oposto a este;

- Tenha sido aprovado pela CMC um índice de construção que, aparentemente, contraria o disposto legalmente para o local (que só seria possível, aliás, se o Mte. Estoril fosse já contemplado pela parametrização decorrente de um Plano de Pormenor (1,5), o que não se verifica), o que pré-figura uma eventual declaração de nulidade da decisão de aprovação da Informação Prévia.

Antes que a «Vila Arriaga» padeça de demolição súbita, e por ser nossa convicção de que muito está mal neste processo, enviamos este alerta para que a CMC corrija este processo em prol de uma política de Urbanismo credível e transparente, compatível com o entendimento que a CMC diz possuir no que respeita à preservação do Monte de Estoril enquanto zona urbana consolidada mas intrinsecamente ligada ao ambiente bucólico e revivalista.

Somos também a informar V.Exa. que iremos dar conta destas nossas preocupações à IGAL, Provedoria de Justiça, PGR, Assembleia Municipal de Cascais e Sra. Provedora Municipal, bem como aos Media.


Na expectativa, e sem outro assunto de momento, subscrevemo-nos com elevada estima e consideração.


Pelo Cidadania Csc

Paulo Ferrero, Fátima Castanheira, Diogo Pacheco de Amorim, António Cristóvão, Pedro Canelas, Fernando Montenegro, Manuel Valadas Preto, Jorge Morais e José d' Encarnação








Thursday, August 19, 2010

Entrevista preocupante no Jornal Quercus Ambiente:

Entrevista a Pedro Bingre sobre ordenamento do território, AQUI. Dá vontade a fugir.

Monday, August 16, 2010

Plátanos de Colares

Hesitei em dar voz ao apelo pungente que me chegou há dias, não tanto pela vera importância da questão em apreço, que o é deveras, mas pelo remetente ser um exemplar vulgar de Lineu a que os bons dos romanos decidiram chamar «platanus». Omitindo o intróito desnecessariamente cerimonioso, passo a citar o essencial da missiva recebida em jeito de abdicação:

«Falo-lhe na qualidade de marcado para a morte ou, pelo menos, de rolado, que é como quem diz decepado de uma copa com mais de 60 anos. Fui marcado a tinta encarnada porque as minhas belas e vetustas hastes estorvam a passagem de veículos, pondo em risco pessoas e bens. Parece que um Sr. que conduzia um TIR a alta velocidade em pleno centro de Colares, raspou o cocuruto do camião pela ramagem de um dos meus parentes defronte à Adega Cooperativa desta vila, que faz parte de Sintra, Património da Humanidade. O contentor ameaçou cair e o queixume chegou aos senhores da entidade que tutela as estradas nacionais deste país. As Estradas de Portugal resolveram cortar o mal pela raiz e abater dezenas de plátanos como eu, sustentando-se em douto parecer que aponta, calcule, para um débil estado fitossanitário de nós todos, plátanos da estrada que liga Sintra a Colares, que aguentamos com todas as agressões há décadas e décadas.

Valeram, ou têm valido, muitos humanos desta região, e não só, que têm feito chegar a sua revolta a Junta de Colares, Câmara Municipal de Sintra e Autoridade Florestal Nacional, pedindo-lhes encarecidamente para convencerem as E.P. a repensar o assunto. Até querem classificar-me. Está em causa, dizem (acredito), um património arbóreo invulgarmente belo, património que é de todos (portanto, da Humanidade), «ex-libris» da zona, mais importante que estradas esburacadas e mal desenhadas. Mas fui informado que a minha esplendorosa sobrevivência, e a dos meus irmãos, primos e demais familiares, está longe de estar garantida, uma vez que apenas está suspensa a empreitada até prova em contrário: até que alguma sumidade emita parecer em que, preto no branco, esteja “estas árvores estão a perder seiva, estão ocas, com ramadas que foram crescendo anarquicamente, hoje ameaçando efectivamente pessoas e bens, e, portanto, estas árvores precisam de ser desbastadas, roladas, ou até abatidas”.

Sinto-me profundamente triste com esta Humanidade. Gostava de ser um «Ent», um daqueles fabulosos seres, meio homens, meio árvores, que J.R.R. Tolkien imortalizou na sua saga literária; para poder fugir rumo a França, onde apesar de rolarem muitos dos meus, nunca me tratariam como as E.P; ou para Berlim, onde chegam a vingar, viçosas e impressionantes, quatro fileiras paralelas de plátanos nas suas avenidas. Mas não sou. Como tal, estou pronto para morrer de pé.». Pungente, na realidade.




In Jornal de Notícias (12/8/2010)

Saturday, August 14, 2010

Há mais recolha selectiva em Lisboa mas um terço continua a falhar o alvo


In Público (14/8/2010)
Por Carlos Filipe

Aumenta a consciência de que a reciclagem contribuirá para melhorar o ambiente. O pior é que ainda é atirado para o sítio errado muito do lixo que se separa

A percentagem de resíduos sólidos urbanos produzidos em Portugal e que seguem para valorização e reciclagem continua a aumentar, estimando o Instituto Nacional de Estatística que, em 2008, representava 12 por cento do total do lixo produzido, cinco pontos abaixo da média da União Europeia. Em Lisboa, de acordo com dados fornecidos pela autarquia, aquele valor aumenta para 20 por cento.

Todavia, há um dado que prejudica o esforço colocado nessa boa prática ambiental: há demasiados resíduos que chegam contaminados às linhas de triagem. Então no caso do ecoponto amarelo (embalagens de plástico e metal) eles representam um terço do total. Em última instância, a incineração ou aterro são os destinos finais.

A situação torna-se menos sustentável, quando se sabe que é o ecoponto amarelo que representa o maior fluxo de trabalho e de complexidade no processo de separação, pois é naquele contentor que são colocadas as embalagens de plástico, metal e pacotes de leite e outras bebidas, produtos estes que em Lisboa, segundo os dados fornecidos pelos serviços camarários, representaram em 2009 um aumento de 18 por cento relativamente a 2008, passando de 6262 toneladas para 7384 toneladas.

Porém, e segundo os dados da Valorsul, uma das operadoras na Área Metropolitana de Lisboa (AML), que serve os municípios de Lisboa, Amadora, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira, cerca de um terço das quantidades provenientes daqueles receptáculos são constituídas por materiais indesejados (contaminantes), casos de papel, cartão, vidro, electrodomésticos, sapatos, chapéus de chuva, ou restos alimentares.

Diz Ana Loureiro, directora de comunicação da empresa, que aquelas embalagens mal colocadas, ou que não podem ser recicladas, mas que foram depositadas nos ecopontos, ainda assim "podem ser objecto de valorização através da produção de energia eléctrica" na central. "Mas os resíduos que são contaminantes, por não se enquadrarem em nenhuma categoria de reciclagem, seguem para incineração, o que acontece na Valorsul, ou para aterro sanitário, nos casos de operadores que não disponham deste sistema", esclareceu Ana Loureiro.

A situação não será igual em todo o território nacional, mas no caso destes cinco municípios da AML (desconhecem-se os valores em Cascais, Oeiras, Mafra e Sintra, operados pela Tratolixo, que não respondeu às questões do PÚBLICO), também cinco por cento dos materiais depositados nos receptáculos azuis (papel/cartão, que a nível nacional representam o maior valor, 36 por cento, do total de resíduos) são indesejados, encontrando-se entre os principais contaminantes sacos de plástico, esferovite, papel de prata, vegetal, plastificado e autocolantes.

Ainda de acordo com os dados da Valorsul, no ecoponto verde (embalagens de vidro) entre um a dois por cento do que ali é depositado é rejeitado na triagem - casos de loiças, plásticos, cerâmicas, vidro plano, cristais, espelhos, lâmpadas.


Mais erros, mais custos


Sejam "erros de pontaria" na cor dos contentores, desleixo/negligência, ou simples enganos por desconhecimento, a verdade é que a má separação dos resíduos pelos utilizadores acarreta maiores custos ambientais, sejam eles na operação de triagem, pela menor quantidade de produtos reciclados, pela utilização de combustíveis fósseis no processo produtivo de novos produtos (por exemplo, nos plásticos), ou pela necessidade de construção/aumento de aterros sanitários.

Ana Loureiro admite que a má separação "leva à existência de maiores custos, porque obriga a uma maior eficiência dos sistemas". "Como exemplo, refiro a existência ainda em elevada quantidade de papel/cartão no ecoponto amarelo. Este erro por parte de população obriga a um esforço adicional para tentar recuperar um material que é reciclável, mas que não deveria estar a aparecer naquele fluxo."

Foi também esta uma das razões apontadas pelo município de Oeiras - ainda que muito criticada por associações ambientalistas - como justificação para a decisão de interromper a recolha selectiva porta a porta no concelho. "Recuo ambiental", disse a Quercus, "lixo contaminado", alegou a câmara, salientando que cerca de 70 por cento daqueles detritos estavam mal separados, razão pela qual optou por substituir aquele sistema de recolha pela contentorização enterrada, garantindo também que assim haverá uma "melhoria substancial da quantidade e da qualidade dos resíduos recicláveis.

A Empresa Municipal de Ambiente de Cascais anunciou há dias que vai reforçar a capacidade de recolha de resíduos sólidos urbanos, com um investimento superior a 2,5 milhões de euros, com comparticipação de fundos do Programa Operacional Regional de Lisboa.

A empresa diz que avançará em Setembro uma nova fase de colocação de "ilhas ecológicas" no concelho, com a instalação de 465 novos contentores subterrâneos que aumentarão, respectivamente em 274% e 40% a capacidade de recolha de resíduos recicláveis e indiferenciados.


Já a Câmara de Lisboa conta abranger toda a cidade, até 2013, com o sistema porta a porta.

Segundo dados fornecidos pelo gabinete do vereador responsável pela higiene urbana, actualmente cerca de 25 por cento das habitações da cidade têm já à sua disposição este tipo de recolha de resíduos sólidos. E especifica que, na sua totalidade, já estão abrangidas as freguesias das Mercês, Santa Catarina, Santa Maria dos Olivais e São Miguel.

Existem ainda quatro freguesias que têm recolha selectiva porta a porta quase na totalidade - Nossa Sra. de Fátima, Socorro, São Cristóvão e São Lourenço -, mas que ainda têm áreas servidas por outros sistemas. Já a Quinta do Lambert, Alameda das Linhas de Torres (sul) e área envolvente ao Estádio de Alvalade experimentam este sistema desde o início do corrente ano.

Ainda segundo a Câmara Municipal de Lisboa, existe também uma evolução significativa em termos económicos. As contrapartidas financeiras obtidas pela autarquia com a entrega de materiais para reciclagem continuam a aumentar, cifrando-se em 3,6 milhões de euros para 2009, a que acresce uma economia de mais de dois milhões no tratamento e destino final dos resíduos. Tal reflectiu-se num acréscimo da poupança para os cofres municipais em mais de 160 mil euros relativamente a 2008.»

Monday, August 09, 2010

Obras na Igreja Matriz de Cascais

Chegado por e-mail:

«Exmo. Senhor Paulo Ferrero


Depois de alguma ponderação, envio umas linhas (texto abaixo) sobre as obras na igreja matriz. Agradecia se assim entender a publicação no Cidadania, são um desabafo sobre o grande atentado ao património que se fez na nossa igreja; visto terem caído em saco roto, todos os anteriores alertas.

Com os melhores cumprimentos.

- A comunicação social tem dado imensa importância à pedofilia no seio da Igreja Católica, tem revelado os esquemas e as fortunas que mudam de mãos ao abrigo de uns “Job´s for the boys”.

Talvez por isso passe despercebido a indignação de quem sabe, em contraste com a ignorância e o total desconhecimento de alguns cidadãos de Cascais quanto às atrocidades que se vêm a acumular na nossa Igreja Paroquial – A Igreja de Nossa Senhora da Assunção.

É impressionante o modo como se esbanja dinheiro, muito dinheiro, substituído bancos em óptimo estado de conservação, substituindo iluminação montada recentemente e mais grave ainda, foi a substituição de uma mesa de altar perfeitamente enquadrada no espaço por uma outra, que mais se assemelha a uma barra de sabão azul e branco.

Serei eu nos meus 52 anos de existência que não estarei preparado para estas mudanças absurdas, em que numa Igreja do Séc. XVII com um espólio de arte deveras impressionante, deverá ver agora o seu interior devassado por mobiliário moderno, ou será moda os novos padres renovarem o espaço de culto ancestral, como se fosse a sua própria casa ao invés da casa do Senhor e por conseguinte de todos nós cristãos.

Onde fica o respeito por aqueles que dedicaram uma vida inteira a esta comunidade, nomeadamente ao anterior Prior e a todos aqueles que se sacrificaram para que a Igreja de Cascais fosse uma referência entre as demais. Isto para não falar na preocupação dos mais necessitados e desempregados deste Concelho, quando se esbanja dinheiro em obras fúteis de vaidade pessoal.

Fiquei a saber pelos jornais que o Patriarcado procurou Mecenas para o Altar a instalar no Terreiro do Paço, orçado em 200.000€ e na Igreja de Cascais um padre gasta muito mais em obras de remodelação ao estilo de um “Querido mudei a casa”.

Agora pergunto;

- A quem é que estes senhores prestam contas? Sabendo nós que gozam de autênticas benesses fiscais.
- Poderá um padre desfazer a obra espiritual e social do seu antecessor?
- Estará a hierarquia da Igreja a par das denúncias que inundam a internet, o Ministério da Cultura e a Câmara de Cascais?
- Haverá espaço na nossa televisão para o apuramento da verdade no meio de tanta intriga?
- Onde está a renuncia quaresmal de quem nos entrega envelopes a solicitar a mesma?

Talvez estas linhas sejam o último fôlego sobre o atentado ao património que está a ser levado em curso, e com o apoio da Câmara Municipal de Cascais.

A acção deste Pároco tem vindo a ser reveladora de um total alheamento e ignorância acerca de tudo o que o rodeia; veja-se a exemplo a Tradicional Procissão de Santo António... mas isso é outra história. Contudo 200 anos depois das Invasões Francesas, "eles" voltaram e desta ganharam!!!


P.S.: Agradeço o anonimato»

Thursday, August 05, 2010

Deliberações da Reunião Ordinária Pública de Câmara

De entre os assuntos discutidos e aprovados, sobressai:

«4. Aprovar o período de discussão pública do Plano de Pormenor do Espaço de Estabelecimento Terciário do Arneiro e do Plano de Pormenor do Espaço Terciário de Sassoeiros Norte, os quais irão decorrer por um prazo de 45 dias úteis após a publicação pela Comissão Coordenadora de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, esperada para os próximos dias. Na prática, o período de consulta pública dos referidos planos de pormenor irá decorrer até ao final do mês de Outubro

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É preciso que os cascalenses participem nas fases de discussão pública!!!