Monday, April 30, 2012

Faustosa marca do Estoril balnear




O desafogo de tempos idos perdeu-se, mas algumas marcas da faustosa estância balnear do Estoril no séc. XIX permanecem. O edifício das antigas Cocheiras de Santos Jorge sobreviveu por estar classificado como imóvel de interesse público. Sem protecção já teria, como muitos outros, sido desmantelado.

O imóvel, nota o Igespar, foi projectado por Norte Júnior em 1914 e destinava-se às cavalariças da casa de António Santos Jorge, de fachada mais tradicional e implantada junto à linha ferroviária entre Lisboa e
Cascais desde 1896. O arquitecto adoptou uma exuberante linguagem decorativa, reflectindo a sua aprendizagem na Escola de Belas-Artes de Paris, ao estilo de Charles Garnier na ópera parisiense e no casino de Monte Carlo. Entalada entre condomínios e um posto de combustíveis, a antiga garagem pisca o olho a uma época áurea que importa preservar.
Luís Filipe Sebastião, Público de 29 Abril 2012



Sunday, April 29, 2012

Cascais é o terceiro concelho mais violento


no jornal Sol, 29 de Abril, 2012

Amílcar Matos aprendeu a nunca virar as costas aos clientes. Com uma ourivesaria aberta há 42 anos na Baixa de Cascais, o empresário garante que os tempos nunca foram tão maus para o negócio.

«Todos os dias temos uma tentativa de furto ao balcão. O cliente, que na verdade é ladrão, pede para ver fios e anéis, depois pede mais um anel só para nos distrair e desviar alguma peça. Já me levaram algumas», conta ao SOL, mirando quem passa na rua. «Não há pobreza em Cascais? Olhe à sua volta... Os mendigos não são poucos, até estrangeiros».

Ele e os outros comerciantes do centro histórico de Cascais têm a vantagem de ter por perto um agente da PSP que foi contratado para vigiar uma outra ourivesaria ali ao lado, que foi assaltada há alguns anos. «Aqui vamos estando protegidos», desabafa.

Essa sorte faltou ao gerente do Hotel Eden, no Estoril, onde já este ano, em Janeiro, um encapuzado entrou de caçadeira em punho, ameaçou e trancou a funcionária da tabacaria numa arrecadação, fugindo com todos os maços de tabaco que estavam no expositor, no valor de 250 euros. Pouco passava das sete da tarde. Todos os clientes ficaram sem reacção.


O quinto maior concelho


Naquele que é o quinto maior concelho do país, com 206 mil habitantes, as autoridades registaram no ano passado um total de 8.733 ocorrências – uma média de 24 assaltos por dia. No total, foram mais 66 do que em 2010, contrariando uma tendência de quebra que se vinha consolidando desde 2008 (entre 2009 e 2010, a descida foi de 15,5%).

Olhando para o distrito de Lisboa, onde a criminalidade geral também está em descida desde 2008, as estatísticas não deixam margem para dúvidas: ultrapassado apenas por Lisboa e Sintra, Cascais é já o terceiro concelho do distrito com maior número de crimes, à frente de Amadora, Loures e Oeiras.

«A conjuntura económica trouxe ao país outra realidade e Cascais não é excepção» – diz Armando Correia, presidente da Associação Empresarial do concelho, admitindo preocupação com a vaga de assaltos a estabelecimentos – no ano passado, as autoridades registaram 310 casos, mais 100 do que em 2010.

«Os cafés e restaurantes são um elo frágil, por causa do horário de funcionamento. Ainda há pouco tempo foi assaltado o novo McDonald’s que abriu em São Domingos de Rana. Fechava às 4 da manhã e agora encerra à meia-noite», diz Armando Correia.


Furtos em supermercados triplicaram


Só os furtos em supermercados mais do que triplicaram entre 2009 e 2011, passando de 29 para 91 casos. «Os relatórios que as grandes superfícies comerciais enviam mostram que as pessoas furtam cada vez mais alimentos: pacotes de arroz, massa, azeite... enquanto no passado recente levavam sobretudo pilhas e perfumes», nota o representante dos empresários.

Mas os supermercados são por si só um chamariz para os criminosos que procuram simplesmente dinheiro fácil. Em Março, uma empregada de um mini-mercado na Parede não teve outra alternativa senão entregar os 120 euros que tinha na caixa, quando um homem, de máscara e luvas, entrou pelo estabelecimento e lhe apontou uma arma à cabeça.

Num território que concentra algumas das zonas residenciais mais luxuosas do país, os crimes contra a propriedade também se agravaram, incluindo alguns dos que causam maior sentimento de insegurança – caso dos furtos por carteiristas (mais 10 ilícitos), roubos por esticão (mais 18) e roubos na via pública (mais 42). Há também mais assaltos a residências: no ano passado, a polícia contabilizou 578 queixas contra 462 em 2010. A esmagadora maioria dos crimes, porém, são furtos no interior de veículos (ver infografia).

«Andar em Cascais à noite pode ser arriscado. Ainda há ruas muito mal iluminadas», diz Rui Carvalho, comerciante de 56 anos na Baixa de Cascais, que já não tem conta às tentativas de furto no interior da sua tabacaria: «Temos de ter quatro olhos sempre abertos».


Cego assaltado e sequestrado


Mas o pior pode acontecer em plena luz do dia. Em Janeiro deste ano, pela hora de almoço, um idoso de 80 anos, invisual, teve um inesperado dissabor. Caminhava na avenida do Ultramar, em Cascais, quando três homens o abordaram, encostaram-lhe uma arma de fogo ao corpo e obrigaram-no a entrar num carro.

Um deles tinha sotaque brasileiro. Circularam alguns minutos até que pararam num local ermo. Depois de o revistarem, tiraram-lhe a carteira, onde tinha os documentos e 160 euros em notas, e abandonaram-no na rua.

«A grande diferença que se nota é que muitos crimes passaram a ser cometidos durante o dia», sublinha Jorge Marques, guarda-nocturno há 16 anos na freguesia da Parede. «São sobretudo assaltos a residências, mas também a bancos, ourivesarias e lojas de compra e venda de ouro», conta o vigilante, recordando um assalto inédito que causou o pânico na freguesia, em Novembro passado.

Três encapuzados, com uma arma e martelos, invadiram uma ourivesaria na artéria mais movimentada da Parede, mas o dono da loja reagiu com oito tiros, o que afugentou os delinquentes. Durante o tiroteio, uma bala atingiu o talho da rua em frente e outra ficou cravada no vidro de um carro que estava estacionado.


Presidente da Câmara culpa violência doméstica


Não menos prodigioso foi o assalto, também na Parede, a um banco no ano passado. O roubo aconteceu durante o dia e foi praticado por uma jovem mulher que já tinha assaltado outro estabelecimento de crédito em Cascais. Em 2011, foram roubados 10 bancos neste concelho, mais sete do que em 2010. Nas estações dos CTT houve seis assaltos no último ano – o valor mais alto de sempre no concelho. E, no mesmo período, cinco farmácias foram saqueadas.

«Não podemos isolar os dados de um ano apenas. A criminalidade deve ser olhada em contínuo», disse ao SOL Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais.

Lembrando que o concelho é o quinto mais populoso do país, «com visitas de mais de um milhão de cidadãos, nacionais e estrangeiros, todos os anos», o autarca defende que «Cascais é um território seguro». Carlos Carreiras admite que, após dois anos de queda sucessiva, a criminalidade subiu em 2011 mas atribui o facto «essencialmente ao grande aumento do número de participações de crimes de violência doméstica (mais 160%, contra menores)».

«Sendo, naturalmente, uma causa de preocupação, este número prova que temos sido bem-sucedidos no trabalho de combate à violência doméstica», sublinha o social-democrata, atribuindo o aumento de queixas ao trabalho desenvolvido pelas associações, que encorajam as vítimas a denunciar os agressores.


Junta e Câmara oferecem carros à PSP


O autarca garante que a segurança é, neste momento, um «imperativo estratégico». Em Março deste ano, no âmbito da primeira parceria público-pública em todo o país intitulada ‘Parcerias para a Segurança – uma visão de futuro’, a autarquia ofereceu material informático e também viaturas aos agentes da Divisão de Cascais.

Ao SOL, Carreiras adiantou ainda que a autarquia está a realizar um estudo para encontrar «métodos inovadores de combate à insegurança e à criminalidade nas cidades, como aqueles que Rudolph Giuliani (político americano que defendia ‘tolerância zero’ contra os criminosos) aplicou de forma bem-sucedida nos anos 90».

Embora considere que o sentimento de segurança não foi abalado, o presidente da Junta de Freguesia tomou a mesma medida, atribuindo um carro à esquadra da PSP de Cascais. «Entendemos isto como um investimento, a bem de toda a comunidade», disse ao SOL Pedro Morais Soares, presidente da Junta, esclarecendo que a nova viatura servirá exclusivamente para «reforçar o policiamento a residências e comerciantes».

Friday, April 27, 2012

Praia da Bafureira interdita se reparar o muro de proteção

In DN Online/ Lusa (http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2444792&seccao=Sul)

«O Ministério do Ambiente suspendeu hoje o uso da praia da Bafureira, em Cascais, por razões de segurança, até à reparação do muro que serve de proteção à agitação marítima e que suporta as escadas de acesso à praia. Numa portaria publicada hoje no Diário da República, a tutela explica que, apesar de estar classificada como praia urbana com uso intensivo, no passado inverno verificou-se a rotura do muro de proteção da agitação marítima e de suporte às escadas de acesso à praia da Bafureira, "deixando vulnerável e exposta quer a área da plataforma existente no seu tardoz, quer o troço terminal do acesso à praia". O ministério prevê a execução da obra de reparação do muro "no curto prazo", mas como atualmente o local "não oferece as mínimas condições de segurança", potenciando "a probabilidade de ocorrência de acidentes com consequências graves", decidiu interditar o uso da praia até à conclusão das obras. A interdição, ainda segundo o ministério, surge como medida adicional de restrição do uso da praia, porque, "apesar da sinalização de zona interdita no início do acesso e da vedação colocada na área afetada, persiste a utilização destes locais pelos utentes.»

Tuesday, April 24, 2012

Câmara de Cascais aponta praia de Carcavelos para a Faculdade de Economia da Nova

In Público Online (24/4/2012)
Por Carlos Filipe

«Um terreno junto à praia de Carcavelos e que confina com as instalações da NATO, em Oeiras, diante do Forte de São Julião da Barra, foi o local encontrado pela Câmara de Cascais para corresponder ao desejo expresso pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de se implantar naquele concelho, o que a faria deixar as actuais instalações, em Campolide. [...]

De acordo como documento a que o PÚBLICO teve acesso, o espaço encontrado pelo município de Cascais situa-se mesmo no limite sudeste do concelho, na linha de fronteira com Oeiras. Com uma área total de nove hectares, fica separado das instalações da NATO pela estrada da Medrosa (chamada estrada militar), e do outro lado, a poente, confina com a EN6-7, que liga a estrada marginal à auto-estrada A5. A Norte, confina com a urbanização da Quinta de São Gonçalo e a sul, com a estrada marginal (EN6).

Segundo o acordo de intenções entre o município e o estabelecimento universitário, o terreno a encontrar teria que ser icónico, junto ao mar, capaz de poder acolher instalações modernas e suficientemente atraente para captar as atenções da comunidade estudante estrangeira. Boas acessibilidades viária e pedonal foram outras das condições impostas como fundamentais. Obrigava-se o município a encontrar um espaço com aquelas características no prazo máximo de um ano.

Na memória descritiva do plano geral, avalia-se a possibilidade de se virem a desenvolver ligações à praia de Carcavelos através de túnel, e ao parque urbano, a poente, por passadiços pedonais. Estacionamento para até mil viaturas (350 em lugares subterrâneos) está também previsto. É descrita a cércea média de 15 metros de altura dos edifícios (máximo de três pisos), que compreende um núcleo residencial para docentes e alunos, auditório (500 lugares), pavilhão desportivo, refeitório, biblioteca, zonas verdes. Para aproveitar a proximidade da praia, é também referida a criação de um núcleo com escola de surf. [...]»

Monday, April 23, 2012

Projecto por concluir no Estoril


Opinião
Por Gastão Brito e Silva in Público


O Centro Comercial Cruzeiro entrou na história por ter sido o primeiro shopping de Portugal. O seu nome foi criteriosamente escolhido e não poderia ter sido outro, por estar rigorosamente localizado na intercepção das freguesias do Estoril, Cascais e Alcabideche, por ser também ali o ponto em que os aviões se encaminham para as suas rotas internacionais e por os seus promotores se chamarem Cruz, além da sua traça lembrar um navio de cruzeiro.
Durante a Segunda Grande Guerra, a costa do Estoril teve um grande impulso social. Portugal assumiu uma política neutral nessa ocasião e o país foi "invadido" por refugiados de toda a Europa. Sendo o Estoril uma zona rica por excelência, atraiu não só algumas personalidades de vulto, como foi também palco de acontecimentos de espionagem que marcaram o destino da guerra. Esta zona foi, também por esta altura, eleita por três casas reais que aqui se exilaram. Karol da Bulgária, Victor Emanuel de Itália e Juan de Borbón, conde de Barcelona, consagraram uma vez mais esta aprazível localidade, já antes frequentada pela realeza portuguesa.
Os centros comerciais já grassavam pela Europa e era uma grave lacuna no ponto de vista social e económico, a inexistência de uma estrutura destas no país. Foi edificado estrategicamente no Monte do Estoril, para fazer face às necessidades de um ávido jet set que frequentava esta bem afamada zona. A ideia deve-se a Manuel António da Cruz e João da Cruz, seu promotor, arquitecto e investidor. A primeira pedra foi lançada em 1947. O projecto desde o início que foi alvo de invejas que comprometeram o seu desenvolvimento, chegando a ser embargado por influência de Fausto de Figueiredo, que o via como uma ameaça ao casino que então geria.
Ultrapassadas as dificuldades, o projecto ficou concluído em 1951. A Revista de Turismo inclui uma extensa reportagem sobre este "grande melhoramento". A sua traça modernista, tal como a volumetria, foram pensadas em grande. Além das 40 lojas previstas, onde não faltaria uma casa de fados, restaurante panorâmico, salões de festas, dancing, salas de jogo e mirante, tinha ainda um ringue de patinagem onde se realizou um combate de boxe. Mas o seu mentor, João da Cruz, faleceu devido ao desgaste que todo o processo lhe provocou, ditando assim o destino deste fantasmagórico e lindo edifício, que nunca chegou a ser acabado.
O imóvel é hoje propriedade do BPI, que o pretende demolir, tendo suscitado um movimento de indignação dos cidadãos da zona sem que o seu destino tenha sido resolvido. Ruinólogo e fotógrafo

Wednesday, April 18, 2012