In Público (3/2/2010)Por Luís Filipe Sebastião
«O Centro de Apoio Social do Pisão, em Alcabideche, assinalou ontem um quarto de século sob a gestão da Santa Casa da Misericórdia de Cascais. A instituição presta assistência a três centenas e meia de residentes, com diferentes níveis de doença mental.
O centro acolhe actualmente 340 residentes (275 homens e 65 mulheres) e, sempre que possível, procura promover a sua reinserção social, "reavaliando a situação das respectivas relações familiares". Anabela Gomes, directora da instituição, salienta que, desde Setembro de 2008, o centro de actividades ocupacionais, aberto a participantes exteriores, promove acções ligadas à carpintaria, pintura, culinária e dança como forma de integração social dos pacientes. Novas unidades residenciais vão permitir integrar 24 internos em quatro habitações, para que cuidem da casa, higiene e medicação.
Apesar do investimento da Misericórdia e do apoio da câmara na requalificação das actuais instalações, Anabela Gomes nota que a melhoria da assistência, no futuro, passa "por núcleos de intervenção mais pequenos". O presidente da autarquia, António Capucho, respondeu ao convite da provedora da Santa Casa, Isabel Miguéns, e visitou ontem o Pisão, agradecendo o "trabalho difícil" dos profissionais do centro.
Localizado numa quinta com 300 hectares dentro do Parque Natural de Sintra-Cascais, o centro remonta à década de 1940, quando funcionava como uma extensão da Mitra de Lisboa. Esta instituição, dependente do Ministério do Interior, recolhia mendigos, que ali eram detidos e internados provisoriamente até à decisão sobre o seu destino. Os antigos albergues de mendicidade passaram, a partir de 1976, para a esfera da acção social. A gestão do centro do Pisão foi confiada à Misericórdia de Cascais em 1985, altura em que começou a receber pacientes do sexo feminino.»