Monday, March 26, 2012

Antigo Hotel Paris vai ser ampliado e terá uma nova fachada

in http://fugas.publico.pt/ , 26 Março 2012.
Por Luís Filipe Sebastião.

O Hotel Sana Estoril vai dar lugar a uma nova unidade de quatro estrelas da mesma cadeia hoteleira. A Câmara de Cascais deu luz verde ao projecto de ampliação, apesar de a operação urbanística não reunir consenso no executivo municipal devido ao aumento da área de construção e à alteração da traça arquitectónica do antigo Hotel Paris.



A Hotel Paris - Sociedade Hoteleira e Turística apresentou à autarquia de Cascais uma proposta de "reformulação integral" e de ampliação do Hotel Sana Estoril. O actual edifício, segundo a memória descritiva, "resulta de uma série de alterações e acrescentos pontuais", que tem "ao longo dos anos perdido a coerência e as funcionalidades inicialmente pensadas" para um estabelecimento hoteleiro. Além da adequação à imagem da cadeia Sana, através de requisitos de conforto e de segurança, a iniciativa visa elevar a categoria do hotel de três para quatro estrelas, "fazendo jus à sua localização privilegiada, proximidade do mar, do casino, do centro de congressos e inserção na mítica costa do Estoril".

A actual unidade sucedeu ao Hotel Paris, que remontava a meados do século XX. Este edifício possui mais dois pisos do que o anterior estabelecimento, que ali existiu desde a década de 1930, com traça arquitectónica distinta. O novo projecto propõe oito pisos (um recuado) acima do solo e duas caves. A altura das fachadas mantém-se para a Marginal e reduzem-se sobre as avenidas dos Bombeiros Voluntários (passa de 28 metros para 16,2) e Biarritz (de 25,5 para 18). Os actuais 96 quartos aumentam para 118, num total de 260 camas. O parque de estacionamento subterrâneo terá 90 lugares, alguns para uso público condicionado, contra os actuais 11 à superfície em frente do hotel.

Do lado da Avenida dos Bombeiros será demolido o pavilhão da piscina e o novo corpo ficará recuado em relação ao eixo da via. No logradouro, telheiros e anexos construídos ao longo dos anos serão substituídos por uma área ajardinada, solução que também será adoptada na plataforma sobreelevada na frente do imóvel, que será dotada de uma pala monumental.

O aumento da área de construção em cerca de 16,55% estará dentro do incentivo previsto no Plano Director Municipal (PDM), que admite "um acréscimo até 20% aos parâmetros urbanísticos" em obras singulares. Numa proposta do vice-presidente da câmara, Miguel Pinto Luz, será também necessária a alienação pela autarquia de duas parcelas, totalizando 88 metros quadrados, afectas ao domínio municipal, para beneficiação de acessos e de utilização exterior em frente da unidade. Nesse sentido propôs ao executivo camarário a aprovação destas duas condicionantes, o que aconteceu em Janeiro apenas com a oposição do vereador da CDU.

A vereadora Ana Clara Justino (PSD) concordou, segundo a acta da reunião do executivo, com os aspectos positivos do investimento para o concelho, mas notou a omissão de uma avaliação dos impactos estéticos e arquitectónicos na zona: é "pena que num processo desta natureza, com este impacto e este relevo, não venha [na memória descritiva] a menor relação deste hotel com a envolvente". O vereador socialista Alípio Magalhães realçou ser de apoiar a "renovação de uma unidade hoteleira nesta altura crítica".

Já o vereador Pedro Mendonça lembrou que "o Hotel Paris teve e tem a sua relevância em termos da identidade histórica do Estoril e do próprio património edificado da zona". O autarca da CDU não é contra a requalificação do hotel, mas defendeu que se devia "procurar conservar a sua fachada, porque paulatinamente se está a apagar a memória histórica do edificado não só do Estoril como de Cascais". Pedro Mendonça justificou ao PÚBLICO o seu voto contra por se tratar de mais uma ameaça à imagem da principal estância balnear do concelho, apontando como outros exemplos negativos os projectos para o Hotel Atlântico e para a ruína do Miramar. "Se se vir bem, do antigo Estoril pouco mais resta do que as arcadas do parque e o Hotel Palácio. O Hotel do Parque e as Termas já desapareceram, o [centro comercial] Cruzeiro está ao abandono, enfim, por este andar qualquer dia já não resta nada", argumentou no executivo.

Edifício não classificado
O vice-presidente da câmara salientou, por seu lado, que se trata de um edifício que não está classificado e "que está degradado, onde há um operador privado que, a continuar nas mesma condições, não consegue operar e portanto dizer-se que basta fazer uns arranjos interiores não vai tornar a exploração daquele hotel rentável". Miguel Pinto Luz (PSD) considerou que não lhe parece haver ali "património arquitectónico a proteger" e salientou que o projecto permitirá resolver parte dos problemas de estacionamento e circulação na zona e requalificar a envolvente do hotel.

O presidente da câmara, Carlos Carreiras, explicou que "não foi fácil chegar a este ponto, porque as intenções dos investidores eram muito superiores" ao que foi apresentado ao executivo, mas a operação "vai permitir uma requalificação da entrada do Estoril que hoje é uma vergonha e vai aumentar os postos de trabalho". Em declarações ao PÚBLICO, o autarca do PSD reforçou que a autarquia "tem todo o interesse na requalificação e valorização das unidades hoteleiras" do concelho. No caso do antigo Hotel Paris, frisou, o imóvel não está classificado no catálogo de inventário do património e a solução proposta será associada "a um plano de requalificação do espaço público naquela que é uma zona de acesso nobre ao Estoril".

O promotor, adiantou Carlos Carreiras, ainda terá de apresentar os projectos de especialidades e outros pareceres, mas o autarca não prevê dificuldades na aprovação final e no licenciamento do projecto. Do actual imóvel, esclareceu, será "demolida uma parte para se construir as caves", e o eleito social-democrata espera que os trabalhos possam avançar o mais breve possível.

O PÚBLICO contactou a cadeia Sana para saber mais pormenores acerca do investimento, mas não obteve resposta por "não ser oportuno", nesta fase, proferir quaisquer comentários.

Thursday, March 22, 2012

Enquanto isso, no Dia da Árvore:



Em São João do Estoril, foi assim. Em cima, fotos do lote junto aos semáforos, defronte ao Forte do Instituto de Odivelas (aquele monumento ali, filipino, assim entregue... quando é que saem de lá?), provavelmente para mais 1-2-3 moradias, o que der e a CMC permitir, claro. Entretanto, adeus pinheiros. Em baixo, várias podas à portuguesa.



Chegado por e-mail:

«Hoje ao passar na marginal em S. João deparei-me com estas fotos do pinhal que existia ali na quase totalidade derrubado. Parei o carro e fotografei. Os "madeireiros" ainda lá estavam e disseram-me que o terreno era privado por isso o dono tinha o direito de fazer o que bem entendesse. As outras 2 são exemplos de como ainda se podam as árvores em Cascais transformando-as não em árvores mas em caricaturas. Tudo isto porque hoje se comemora o dia da Árvore. Em Portugal seria melhor chamar-se o "dia da motoserra"!!!
TS»

Tuesday, March 20, 2012

Enquanto isso, mais cortes de árvores na Malveira?


Fonte: Vimeo/PCanelas

Mata dos Dragoeiros de Cascais passa a ter Bilhete de Identidade

Chegado por e-mail:

«Quarta-feira, 21 de março, às 15h30, será entregue o Bilhete de Identidade da Mata dos Dragoeiros de Cascais. Localizado no Parque Palmela, em Cascais, este maciço, que acaba de ser classificado como de interesse nacional pela Autoridade Nacional Florestal (Aviso n.º 5/2012), passa a dispor de um Bilhete de Identidade onde constam dados como as características da espécie, motivos de classificação, entre outros.

A entrega do documento realiza-se às 15h30, na zona de entrada do Parque Palmela (Chão do Parque) e contra com a presença de Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, e de Campos Andrada em representação da Autoridade Florestal Nacional.

Melhores cumprimentos, Fátima Henriques Gabinete de Imprensa
Departamento de ComunicaçãoCâmara Municipal de Cascais»
...

Bem que a CMC podia mencionar os "terroristas urbanos" que solicitaram a classificação ...

Já estão classificados os dragoeiros à entrada de Cascais


«Associação Cidadania Cascais

Exmºs Senhores

Local: terreno anexo ao Parque de Palmela
Freg.: Cascais
Conc.: Cascais

Comunica-se que o maciço de dragoeiros proposto para classificação por V.Exªs em 13/09/2010, dirigido à Autoridade Florestal Nacional, passou a constar no registo de árvores de interesse público como conjunto notável de características únicas em Portugal continental. Em anexo segue o respectivo Aviso de classificação.
Agradecemos o empenhamento dessa Associação na procura e defesa destes exemplares únicos.

Os nossos melhores cumprimentos

O téc
C.Andrada
»

...

Mto. obrigado à AFN!!

Tuesday, March 13, 2012

Um hotel do Estoril que deu um livro

Por volta de 1898 já existia no Estoril um Hotel de Paris. Os três corpos do edifício, então situados junto ao Convento de Santo António, não passavam de três pisos. Na década de 1930, na estância balnear conhecida como "Riviera portuguesa", já existia à beira da Marginal um novo Hotel Paris, que ostentava janelas de pé alto, nos seis pisos da fachada levantada até ao meio do telhado, aproveitado em "águas-furtadas". Já lá estava o moinho de tirar água, mantido ao lado do outro imóvel que o substituiu, em meados do século, de traça mais horizontal. A imagem desta reconstrução, sem data ou autor, não difere muito da actual, a não ser pelos dois pisos acrescentados e pelo novo nome: Hotel Sana Estoril. Perdeu o glamour da época dos espiões e, mais recentemente, acolheu portugueses "desterrados" das ex-colónias, como a autora de um livro sobre "o retorno". Uma nova página da sua história que está no prelo...
Por Luis Filipe Sebastião, Público de 11 Março 2012

Wednesday, February 29, 2012

Proprietário quer demolir centro comercial Cruzeiro para construir prédio de habitação

in Público, 29 Fev 2012.Por Cláudia Sobral

Projecto de arquitectura ainda não foi apresentado na câmara, mas o presidente da autarquia considera que edifício não tem de ser preservado a todo o custo

Monday, February 27, 2012

Edifício construído e nunca acabado para a PSP de Cascais vai provavelmente ser demolido

Treze anos depois de a obra ter sido entregue a uma empresa de um amigo de Sócrates, o edifício que se destinava à PSP de Cascais está em vias de ir abaixo
in Público.


O edifício de grandes dimensões que começou a ser construído há 13 anos para acolher a Divisão da PSP de Cascais e nunca foi acabado vai provavelmente ser demolido, afirmou ontem o presidente da câmara local, Carlos Carreiras. Em alternativa, a polícia, que se encontra há décadas num espaço sem quaisquer condições, irá ocupar, em data ainda desconhecida, o antigo Quartel Militar da Bateria da Parede, recentemente comprado pela câmara ao Estado.
Carlos Carreiras já tinha manifestado, no início do mês, a intenção de contribuir para que a PSP deixasse as instalações "degradantes" e provisórias em que está há mais de 60 anos, confirmou agora à Lusa que a divisão vai ser transferida para o antigo Quartel da Parede. "Já fechámos o acordo com o Ministério da Administração Interna (MAI), que apoiou também a decisão camarária de fornecer à PSP um conjunto de materiais de segurança dos agentes", disse o autarca. Segundo noticiou na semana passada o Jornal da Região, citando o autarca, o edifício da antiga Brigada Fiscal, junto à lota de Cascais, acolherá também uma esquadra territorial e um serviço policial de apoio aos turistas. A decisão de realojar a PSP, disse Carlos Carreiras à Lusa, deverá obrigar à demolição do controverso "edifício amarelo", um complexo de seis pisos que começou a ser construído em 1999 na Av. Engenheiro Adelino Amaro da Costa, perto do tribunal da vila, para acolher todos os serviços da divisão de Cascais.
O edifício, cujas obras nunca foram acabadas devido a problemas com os sucessivos empreiteiros e foi inicialmente muito contestado por causa da sua volumetria, já custou dois milhões de euros, disse o autarca. E para se terminar a obra seria necessário gastar, pelo menos, mais cinco milhões de euros, acrescentou.
"A indicação que temos é de que o edifício já não tem condições e investir um valor desses seria uma má decisão para recuperar uma coisa que à partida não é recuperável, portanto o mais provável é que seja demolido", explicou, frisando, no entanto, que ainda será feita uma avaliação técnica para apurar a segurança e a funcionalidade do imóvel.
A saída da PSP das actuais instalações e a eventual demolição do "edifício amarelo" estão contempladas num protocolo que será assinado a 13 de Março pela autarquia e pelo MAI e que se prende com a reorganização das forças de segurança em Cascais. Além da divisão de Cascais, no Quartel da Parede vai passar a funcionar a Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial e ainda a Esquadra de Investigação Criminal. O plano prevê ainda uma nova esquadra na Abóbada e novas instalações para a PSP da Parede e de Carcavelos.


Amigos de SócratesA construção do quartel da PSP de Cascais foi uma das 17 grandes obras que o MAI adjudicou entre 1996 e 1999 à Conegil, do Grupo HLC (cujo fundador aguarda julgamento por corrupção no processo dos resíduos da Cova da Beira), e do empresário Carlos Santo Silva, um amigo chegado de José Sócrates. As adjudicações em causa foram feitas pelo GEPI, um serviço do MAI então dirigido por António Morais - engenheiro que foi nomeado por Armando Vara para essas funções quando era professor de Sócrates na Independente e está também acusado de corrupção no caso da Cova da Beira. Além de entregar a obra de Cascais à Conegil, por 2,8 milhões de euros, Morais adjudicou a sua fiscalização a Joaquim Valente, actual presidente da Câmara da Guarda e igualmente amigo de Sócrates. A obra foi abandonada em 2002, falindo a empresa com dívidas de 20 milhões de euros, dos quais 1,6 ao MAI. Os trabalhos foram mais tarde retomados por um outro empreiteiro que também a abandonou sem a acabar. J.A.C.

Via ASRC

Friday, February 24, 2012

Cruzeiro: demolição iminente?


Tapumes em volta= camartelo em breve? Mas por que não se indigna ninguém? Bom, talvez porque realmente sejam muito poucos os que prefiram um CCCruzeiro dos anos 40 reabilitado a um novo quarteirão pós-modernaço, cheio de moradores, carros e um novo cruzamento/rotunda. Ah, parece que há um riacho lá por baixo e por isso a coisa que está pode cair, mas a nova não, mais os estacionamentos em cave. Nada que a engenharia e o bom gosto não resolvam, certamente...

«Construção do Arquivo Histórico avança no Verão»

In Jornal da Região (22/2/2012)

«As obras de construção do Arquivo Histórico de Cascais na Casa Sommer, inicialmente previstas para 2006, vão arrancar no início do Verão, devendo-se o atraso ao processo burocrático de expropriação do imóvel. Numa nota escrita enviada à agência Lusa, a vereadora da Cultura da Câmara de Cascais, Ana Clara Justino, refere que o processo tem sido mais lento devido a burocracias para aquisição do imóvel.

"Trata-se de um caso complexo em que a Câmara de Cascais adquiriu parte do imóvel e desenvolveu um moroso processo de expropriação para a restante propriedade. Só desde Dezembro de 2011 foi possível chegar a acordo com os restantes herdeiros da Casa Sommer, pelo que só nessa data a autarquia se tornou proprietária de pleno direito da mesma", esclareceu Ana Clara Justino.

Segundo a vereadora, os adiamentos sucessivos para o início da obra, que deveria ter arrancado há seis anos, foram fruto de "vicissitudes de natureza burocrática e legal" impossíveis de ser evitadas. "O processo tem decorrido de tal forma lenta que a Câmara Municipal de Cascais, procurando ganhar tempo, lançou antecipadamente o concurso público para a obra de reabilitação da Casa Sommer – Centro de História Local/Arquivo Histórico Municipal de Cascais e que está na sua fase final", acrescentou.

Ana Clara Justino apontou ainda o terceiro trimestre de 2012 para o arranque da obra que terá o prazo de execução de 18 meses, devendo estar concluída no início de 2014 e aberta ao público no mesmo ano. O novo Arquivo Histórico de Cascais implica um investimento de 2,3 milhões de euros, 1,88 milhões pela obra e 500 mil euros em equipamento.»

Wednesday, February 15, 2012

Edifício "amarelo" da PSP (por concluir) irá ser demolido

Notícia do Jornal da Região (de 14 a 20 de Fevereiro)
"Destinado a receber a Divisão da PSP, o 'edifício amarelo' está por concluir há cerca de uma década. Agora, a autarquia propõe a sua demolição, já que seriam necessários mais cinco milhões de euros para o tornar operacional"...com custo previsto de menos de 2 milhões de euros, quase acabado, faltam agora 5 milhões?
Se não se tivesse já percebido o nível dos amanuenses que desde há décadas andam a fazer as "contas públicas" até se deixaria passar estas coisas.
Seria tão interessante que a história deste projecto fosse agora contada e contabilizada toda. Todinha! ...com nomes e ligações partidárias.
Edificante!

Tuesday, February 14, 2012

Tuesday, February 07, 2012

Cruzeiro


Que diabo, deitá-lo abaixo para construir uma construção ainda maior? E não poderia o BPI em vez de gastar milhões com a demolição e a gigantesca construção nova e estar à espera de recuperar o dinheiro investido, não poderiam ele e a CMC, e puxarem pela cabeça e recuperarem o espaço, dando-lhe novas funções e ocupantes. Habitação, porque não? Indústrias criativas e culturais (allô DNA!) em alguns dos espaços, comércio a sério, etc. Já sei que há quem odeie o Cruzeiro, mas esse mesmo alguém deixou construir monos milhões de vezes piores... E não haveria contestação, acho, antes pelo contrário. Que diabo, afinalo Cruzeiro até é tem história e teve vida boa há algumas décadas...


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Miramar, o ovo de Colombo?


E se a CMC, simplesmente, comprasse o lote do Miramar, que continua à venda sem que ninguém o compre? Poderia reconstruir o Miramar, dotá-lo de uma escola de hotelaria (a ideia não é minha), por exemplo, anexa ao hotel revivalista, plantar árvores, fazer um espaço de usufruto público. Simples.

Monday, February 06, 2012

E por que razão o Atlântico não pode ser assim?


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Mas, afinal que se passa com isto?


Em Setembro passado parecia que seria desta. Passados 6 meses, nada. Que se passa com este caso? É por causa do despejo das cocheiras? É por alguma razão técnica-estrutural da casa? Processual ou concursal? Que se passa?


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Wednesday, February 01, 2012

"Cenário desolador" do centro de Cascais

In Diário de Notícias, 31-01-2012. Via Lusa.

Lojas a trespasse, paredes pintadas com "graffiti", ruas desertas, é o atual estado do centro de Cascais a que assistem os comerciantes que resistem à crise e que recordam a zona outrora movimentada e hoje transformada num "cenário desolador".

Fotografia © Steven Governo/Global Imagens


Entre bocejos e o folhear da página de uma revista, Cidalina Santos, que há mais de 30 anos monta todos os dias a sua banca de venda de bijutaria na Rua Frederico Arouca (antiga Rua Direita), recorda com nostalgia a azáfama de outros tempos em que "nem sequer tinha tempo de respirar".
"Isto está péssimo, não se vende nada, não há aqui ninguém. Chegámos a ser 15 pessoas a vender aqui na rua e havia trabalho para todas, agora estou só eu e mais duas com a banca montada", afirma Cidalina à agência Lusa.
Também Luís Santos, funcionário há 16 anos da emblemática "Sapataria Carneiro" (aberta há 50 anos), lamenta a falta de clientes, a atual conjuntura económica e a "decadência" em que vive o comércio na baixa de Cascais.
"É um cenário desolador, isto está deserto. Tenho clientes antigos que já chegaram a chorar dentro da loja, porque ficaram dois anos sem cá vir e agora ficam chocados com o que veem [lojas fechadas]", disse o comerciante, sublinhando que tem registado uma quebra de 60 por cento nas vendas.
O mesmo sentimento tem Mírilio Carlos, proprietário da "Ourivesaria Carlos". "Estou aqui há 54 anos e não me lembro de ver uma crise como esta. É uma grande tristeza o que eu sinto. Isto já não é rua, já não é nada, nem sequer é Cascais", disse o proprietário, que ainda se lembra do tempo em que a Rua Direita era invadida por um "mar de gente, em que mal se via a calçada".

A juntar à crise, a mudança de hábitos dos clientes, a falta de segurança e de estacionamento e a desertificação da vila são outras das razões apontadas pelos lojistas para esta situação.
No entanto, estes comerciantes vão resistindo, o mesmo não acontece com outros que, ou já fecharam ou preparam-se para fechar. É o caso de uma loja de venda artesanal na Rua Direita que, aberta há mais de 30 anos, prepara-se para encerrar. "Já não conseguimos suportar mais. A cada ano que passa as coisas estão piores e agora já não há volta a dar. Já fui informado pelos meus patrões que a loja vai fechar em breve", lamenta o funcionário Sérgio Silva.
O presidente da Associação Empresarial do Concelho de Cascais (AECC), Armando Correia, confirma à Lusa que "centenas de lojas encerraram nos últimos anos", uma situação que tende a agravar-se devido à atual conjuntura económica e aos elevados preços das rendas.
"Agora refletiu-se mais por causa crise, mas há outro fator que tem contribuído para esta desertificação de comércio que está relacionado com os preços exorbitantes das rendas pedidas pelos proprietários, impedindo que a loja volte a ser ocupada", acrescenta o responsável, sublinhando que, neste momento, a renda de uma loja na baixa de Cascais custa cerca de três mil euros.
Para combater a situação, Armando Correia apela a mais ações de dinamização do comércio tradicional e sugere aos comerciantes que apostem numa "personalização ao cliente", de forma a distinguirem-se dos centros comerciais.