Monday, April 30, 2012

Faustosa marca do Estoril balnear




O desafogo de tempos idos perdeu-se, mas algumas marcas da faustosa estância balnear do Estoril no séc. XIX permanecem. O edifício das antigas Cocheiras de Santos Jorge sobreviveu por estar classificado como imóvel de interesse público. Sem protecção já teria, como muitos outros, sido desmantelado.

O imóvel, nota o Igespar, foi projectado por Norte Júnior em 1914 e destinava-se às cavalariças da casa de António Santos Jorge, de fachada mais tradicional e implantada junto à linha ferroviária entre Lisboa e
Cascais desde 1896. O arquitecto adoptou uma exuberante linguagem decorativa, reflectindo a sua aprendizagem na Escola de Belas-Artes de Paris, ao estilo de Charles Garnier na ópera parisiense e no casino de Monte Carlo. Entalada entre condomínios e um posto de combustíveis, a antiga garagem pisca o olho a uma época áurea que importa preservar.
Luís Filipe Sebastião, Público de 29 Abril 2012



Sunday, April 29, 2012

Cascais é o terceiro concelho mais violento


no jornal Sol, 29 de Abril, 2012

Amílcar Matos aprendeu a nunca virar as costas aos clientes. Com uma ourivesaria aberta há 42 anos na Baixa de Cascais, o empresário garante que os tempos nunca foram tão maus para o negócio.

«Todos os dias temos uma tentativa de furto ao balcão. O cliente, que na verdade é ladrão, pede para ver fios e anéis, depois pede mais um anel só para nos distrair e desviar alguma peça. Já me levaram algumas», conta ao SOL, mirando quem passa na rua. «Não há pobreza em Cascais? Olhe à sua volta... Os mendigos não são poucos, até estrangeiros».

Ele e os outros comerciantes do centro histórico de Cascais têm a vantagem de ter por perto um agente da PSP que foi contratado para vigiar uma outra ourivesaria ali ao lado, que foi assaltada há alguns anos. «Aqui vamos estando protegidos», desabafa.

Essa sorte faltou ao gerente do Hotel Eden, no Estoril, onde já este ano, em Janeiro, um encapuzado entrou de caçadeira em punho, ameaçou e trancou a funcionária da tabacaria numa arrecadação, fugindo com todos os maços de tabaco que estavam no expositor, no valor de 250 euros. Pouco passava das sete da tarde. Todos os clientes ficaram sem reacção.


O quinto maior concelho


Naquele que é o quinto maior concelho do país, com 206 mil habitantes, as autoridades registaram no ano passado um total de 8.733 ocorrências – uma média de 24 assaltos por dia. No total, foram mais 66 do que em 2010, contrariando uma tendência de quebra que se vinha consolidando desde 2008 (entre 2009 e 2010, a descida foi de 15,5%).

Olhando para o distrito de Lisboa, onde a criminalidade geral também está em descida desde 2008, as estatísticas não deixam margem para dúvidas: ultrapassado apenas por Lisboa e Sintra, Cascais é já o terceiro concelho do distrito com maior número de crimes, à frente de Amadora, Loures e Oeiras.

«A conjuntura económica trouxe ao país outra realidade e Cascais não é excepção» – diz Armando Correia, presidente da Associação Empresarial do concelho, admitindo preocupação com a vaga de assaltos a estabelecimentos – no ano passado, as autoridades registaram 310 casos, mais 100 do que em 2010.

«Os cafés e restaurantes são um elo frágil, por causa do horário de funcionamento. Ainda há pouco tempo foi assaltado o novo McDonald’s que abriu em São Domingos de Rana. Fechava às 4 da manhã e agora encerra à meia-noite», diz Armando Correia.


Furtos em supermercados triplicaram


Só os furtos em supermercados mais do que triplicaram entre 2009 e 2011, passando de 29 para 91 casos. «Os relatórios que as grandes superfícies comerciais enviam mostram que as pessoas furtam cada vez mais alimentos: pacotes de arroz, massa, azeite... enquanto no passado recente levavam sobretudo pilhas e perfumes», nota o representante dos empresários.

Mas os supermercados são por si só um chamariz para os criminosos que procuram simplesmente dinheiro fácil. Em Março, uma empregada de um mini-mercado na Parede não teve outra alternativa senão entregar os 120 euros que tinha na caixa, quando um homem, de máscara e luvas, entrou pelo estabelecimento e lhe apontou uma arma à cabeça.

Num território que concentra algumas das zonas residenciais mais luxuosas do país, os crimes contra a propriedade também se agravaram, incluindo alguns dos que causam maior sentimento de insegurança – caso dos furtos por carteiristas (mais 10 ilícitos), roubos por esticão (mais 18) e roubos na via pública (mais 42). Há também mais assaltos a residências: no ano passado, a polícia contabilizou 578 queixas contra 462 em 2010. A esmagadora maioria dos crimes, porém, são furtos no interior de veículos (ver infografia).

«Andar em Cascais à noite pode ser arriscado. Ainda há ruas muito mal iluminadas», diz Rui Carvalho, comerciante de 56 anos na Baixa de Cascais, que já não tem conta às tentativas de furto no interior da sua tabacaria: «Temos de ter quatro olhos sempre abertos».


Cego assaltado e sequestrado


Mas o pior pode acontecer em plena luz do dia. Em Janeiro deste ano, pela hora de almoço, um idoso de 80 anos, invisual, teve um inesperado dissabor. Caminhava na avenida do Ultramar, em Cascais, quando três homens o abordaram, encostaram-lhe uma arma de fogo ao corpo e obrigaram-no a entrar num carro.

Um deles tinha sotaque brasileiro. Circularam alguns minutos até que pararam num local ermo. Depois de o revistarem, tiraram-lhe a carteira, onde tinha os documentos e 160 euros em notas, e abandonaram-no na rua.

«A grande diferença que se nota é que muitos crimes passaram a ser cometidos durante o dia», sublinha Jorge Marques, guarda-nocturno há 16 anos na freguesia da Parede. «São sobretudo assaltos a residências, mas também a bancos, ourivesarias e lojas de compra e venda de ouro», conta o vigilante, recordando um assalto inédito que causou o pânico na freguesia, em Novembro passado.

Três encapuzados, com uma arma e martelos, invadiram uma ourivesaria na artéria mais movimentada da Parede, mas o dono da loja reagiu com oito tiros, o que afugentou os delinquentes. Durante o tiroteio, uma bala atingiu o talho da rua em frente e outra ficou cravada no vidro de um carro que estava estacionado.


Presidente da Câmara culpa violência doméstica


Não menos prodigioso foi o assalto, também na Parede, a um banco no ano passado. O roubo aconteceu durante o dia e foi praticado por uma jovem mulher que já tinha assaltado outro estabelecimento de crédito em Cascais. Em 2011, foram roubados 10 bancos neste concelho, mais sete do que em 2010. Nas estações dos CTT houve seis assaltos no último ano – o valor mais alto de sempre no concelho. E, no mesmo período, cinco farmácias foram saqueadas.

«Não podemos isolar os dados de um ano apenas. A criminalidade deve ser olhada em contínuo», disse ao SOL Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais.

Lembrando que o concelho é o quinto mais populoso do país, «com visitas de mais de um milhão de cidadãos, nacionais e estrangeiros, todos os anos», o autarca defende que «Cascais é um território seguro». Carlos Carreiras admite que, após dois anos de queda sucessiva, a criminalidade subiu em 2011 mas atribui o facto «essencialmente ao grande aumento do número de participações de crimes de violência doméstica (mais 160%, contra menores)».

«Sendo, naturalmente, uma causa de preocupação, este número prova que temos sido bem-sucedidos no trabalho de combate à violência doméstica», sublinha o social-democrata, atribuindo o aumento de queixas ao trabalho desenvolvido pelas associações, que encorajam as vítimas a denunciar os agressores.


Junta e Câmara oferecem carros à PSP


O autarca garante que a segurança é, neste momento, um «imperativo estratégico». Em Março deste ano, no âmbito da primeira parceria público-pública em todo o país intitulada ‘Parcerias para a Segurança – uma visão de futuro’, a autarquia ofereceu material informático e também viaturas aos agentes da Divisão de Cascais.

Ao SOL, Carreiras adiantou ainda que a autarquia está a realizar um estudo para encontrar «métodos inovadores de combate à insegurança e à criminalidade nas cidades, como aqueles que Rudolph Giuliani (político americano que defendia ‘tolerância zero’ contra os criminosos) aplicou de forma bem-sucedida nos anos 90».

Embora considere que o sentimento de segurança não foi abalado, o presidente da Junta de Freguesia tomou a mesma medida, atribuindo um carro à esquadra da PSP de Cascais. «Entendemos isto como um investimento, a bem de toda a comunidade», disse ao SOL Pedro Morais Soares, presidente da Junta, esclarecendo que a nova viatura servirá exclusivamente para «reforçar o policiamento a residências e comerciantes».

Friday, April 27, 2012

Praia da Bafureira interdita se reparar o muro de proteção

In DN Online/ Lusa (http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2444792&seccao=Sul)

«O Ministério do Ambiente suspendeu hoje o uso da praia da Bafureira, em Cascais, por razões de segurança, até à reparação do muro que serve de proteção à agitação marítima e que suporta as escadas de acesso à praia. Numa portaria publicada hoje no Diário da República, a tutela explica que, apesar de estar classificada como praia urbana com uso intensivo, no passado inverno verificou-se a rotura do muro de proteção da agitação marítima e de suporte às escadas de acesso à praia da Bafureira, "deixando vulnerável e exposta quer a área da plataforma existente no seu tardoz, quer o troço terminal do acesso à praia". O ministério prevê a execução da obra de reparação do muro "no curto prazo", mas como atualmente o local "não oferece as mínimas condições de segurança", potenciando "a probabilidade de ocorrência de acidentes com consequências graves", decidiu interditar o uso da praia até à conclusão das obras. A interdição, ainda segundo o ministério, surge como medida adicional de restrição do uso da praia, porque, "apesar da sinalização de zona interdita no início do acesso e da vedação colocada na área afetada, persiste a utilização destes locais pelos utentes.»

Tuesday, April 24, 2012

Câmara de Cascais aponta praia de Carcavelos para a Faculdade de Economia da Nova

In Público Online (24/4/2012)
Por Carlos Filipe

«Um terreno junto à praia de Carcavelos e que confina com as instalações da NATO, em Oeiras, diante do Forte de São Julião da Barra, foi o local encontrado pela Câmara de Cascais para corresponder ao desejo expresso pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de se implantar naquele concelho, o que a faria deixar as actuais instalações, em Campolide. [...]

De acordo como documento a que o PÚBLICO teve acesso, o espaço encontrado pelo município de Cascais situa-se mesmo no limite sudeste do concelho, na linha de fronteira com Oeiras. Com uma área total de nove hectares, fica separado das instalações da NATO pela estrada da Medrosa (chamada estrada militar), e do outro lado, a poente, confina com a EN6-7, que liga a estrada marginal à auto-estrada A5. A Norte, confina com a urbanização da Quinta de São Gonçalo e a sul, com a estrada marginal (EN6).

Segundo o acordo de intenções entre o município e o estabelecimento universitário, o terreno a encontrar teria que ser icónico, junto ao mar, capaz de poder acolher instalações modernas e suficientemente atraente para captar as atenções da comunidade estudante estrangeira. Boas acessibilidades viária e pedonal foram outras das condições impostas como fundamentais. Obrigava-se o município a encontrar um espaço com aquelas características no prazo máximo de um ano.

Na memória descritiva do plano geral, avalia-se a possibilidade de se virem a desenvolver ligações à praia de Carcavelos através de túnel, e ao parque urbano, a poente, por passadiços pedonais. Estacionamento para até mil viaturas (350 em lugares subterrâneos) está também previsto. É descrita a cércea média de 15 metros de altura dos edifícios (máximo de três pisos), que compreende um núcleo residencial para docentes e alunos, auditório (500 lugares), pavilhão desportivo, refeitório, biblioteca, zonas verdes. Para aproveitar a proximidade da praia, é também referida a criação de um núcleo com escola de surf. [...]»

Monday, April 23, 2012

Projecto por concluir no Estoril


Opinião
Por Gastão Brito e Silva in Público


O Centro Comercial Cruzeiro entrou na história por ter sido o primeiro shopping de Portugal. O seu nome foi criteriosamente escolhido e não poderia ter sido outro, por estar rigorosamente localizado na intercepção das freguesias do Estoril, Cascais e Alcabideche, por ser também ali o ponto em que os aviões se encaminham para as suas rotas internacionais e por os seus promotores se chamarem Cruz, além da sua traça lembrar um navio de cruzeiro.
Durante a Segunda Grande Guerra, a costa do Estoril teve um grande impulso social. Portugal assumiu uma política neutral nessa ocasião e o país foi "invadido" por refugiados de toda a Europa. Sendo o Estoril uma zona rica por excelência, atraiu não só algumas personalidades de vulto, como foi também palco de acontecimentos de espionagem que marcaram o destino da guerra. Esta zona foi, também por esta altura, eleita por três casas reais que aqui se exilaram. Karol da Bulgária, Victor Emanuel de Itália e Juan de Borbón, conde de Barcelona, consagraram uma vez mais esta aprazível localidade, já antes frequentada pela realeza portuguesa.
Os centros comerciais já grassavam pela Europa e era uma grave lacuna no ponto de vista social e económico, a inexistência de uma estrutura destas no país. Foi edificado estrategicamente no Monte do Estoril, para fazer face às necessidades de um ávido jet set que frequentava esta bem afamada zona. A ideia deve-se a Manuel António da Cruz e João da Cruz, seu promotor, arquitecto e investidor. A primeira pedra foi lançada em 1947. O projecto desde o início que foi alvo de invejas que comprometeram o seu desenvolvimento, chegando a ser embargado por influência de Fausto de Figueiredo, que o via como uma ameaça ao casino que então geria.
Ultrapassadas as dificuldades, o projecto ficou concluído em 1951. A Revista de Turismo inclui uma extensa reportagem sobre este "grande melhoramento". A sua traça modernista, tal como a volumetria, foram pensadas em grande. Além das 40 lojas previstas, onde não faltaria uma casa de fados, restaurante panorâmico, salões de festas, dancing, salas de jogo e mirante, tinha ainda um ringue de patinagem onde se realizou um combate de boxe. Mas o seu mentor, João da Cruz, faleceu devido ao desgaste que todo o processo lhe provocou, ditando assim o destino deste fantasmagórico e lindo edifício, que nunca chegou a ser acabado.
O imóvel é hoje propriedade do BPI, que o pretende demolir, tendo suscitado um movimento de indignação dos cidadãos da zona sem que o seu destino tenha sido resolvido. Ruinólogo e fotógrafo

Wednesday, April 18, 2012

Tuesday, April 10, 2012

Wednesday, March 28, 2012

Chalet Faial


Presidência do Conselho de Ministros - Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico, I. P.

Projeto de Decisão relativo à classificação como monumento de interesse público (MIP) do Chalet Faial (incluindo toda a área de terraço e muros), sito na Rua Frederico Arouca, freguesia e concelho de Cascais, distrito de Lisboa, e à fixação de três zonas especiais de proteção (ZEP) coincidentes, relativas ao Chalet Faial, ao Palácio Palmela e aos restos do Forte de Nossa Senhora da Conceição, freguesia e concelho de Cascais, distrito de Lisboa

Monday, March 26, 2012

Antigo Hotel Paris vai ser ampliado e terá uma nova fachada

in http://fugas.publico.pt/ , 26 Março 2012.
Por Luís Filipe Sebastião.

O Hotel Sana Estoril vai dar lugar a uma nova unidade de quatro estrelas da mesma cadeia hoteleira. A Câmara de Cascais deu luz verde ao projecto de ampliação, apesar de a operação urbanística não reunir consenso no executivo municipal devido ao aumento da área de construção e à alteração da traça arquitectónica do antigo Hotel Paris.



A Hotel Paris - Sociedade Hoteleira e Turística apresentou à autarquia de Cascais uma proposta de "reformulação integral" e de ampliação do Hotel Sana Estoril. O actual edifício, segundo a memória descritiva, "resulta de uma série de alterações e acrescentos pontuais", que tem "ao longo dos anos perdido a coerência e as funcionalidades inicialmente pensadas" para um estabelecimento hoteleiro. Além da adequação à imagem da cadeia Sana, através de requisitos de conforto e de segurança, a iniciativa visa elevar a categoria do hotel de três para quatro estrelas, "fazendo jus à sua localização privilegiada, proximidade do mar, do casino, do centro de congressos e inserção na mítica costa do Estoril".

A actual unidade sucedeu ao Hotel Paris, que remontava a meados do século XX. Este edifício possui mais dois pisos do que o anterior estabelecimento, que ali existiu desde a década de 1930, com traça arquitectónica distinta. O novo projecto propõe oito pisos (um recuado) acima do solo e duas caves. A altura das fachadas mantém-se para a Marginal e reduzem-se sobre as avenidas dos Bombeiros Voluntários (passa de 28 metros para 16,2) e Biarritz (de 25,5 para 18). Os actuais 96 quartos aumentam para 118, num total de 260 camas. O parque de estacionamento subterrâneo terá 90 lugares, alguns para uso público condicionado, contra os actuais 11 à superfície em frente do hotel.

Do lado da Avenida dos Bombeiros será demolido o pavilhão da piscina e o novo corpo ficará recuado em relação ao eixo da via. No logradouro, telheiros e anexos construídos ao longo dos anos serão substituídos por uma área ajardinada, solução que também será adoptada na plataforma sobreelevada na frente do imóvel, que será dotada de uma pala monumental.

O aumento da área de construção em cerca de 16,55% estará dentro do incentivo previsto no Plano Director Municipal (PDM), que admite "um acréscimo até 20% aos parâmetros urbanísticos" em obras singulares. Numa proposta do vice-presidente da câmara, Miguel Pinto Luz, será também necessária a alienação pela autarquia de duas parcelas, totalizando 88 metros quadrados, afectas ao domínio municipal, para beneficiação de acessos e de utilização exterior em frente da unidade. Nesse sentido propôs ao executivo camarário a aprovação destas duas condicionantes, o que aconteceu em Janeiro apenas com a oposição do vereador da CDU.

A vereadora Ana Clara Justino (PSD) concordou, segundo a acta da reunião do executivo, com os aspectos positivos do investimento para o concelho, mas notou a omissão de uma avaliação dos impactos estéticos e arquitectónicos na zona: é "pena que num processo desta natureza, com este impacto e este relevo, não venha [na memória descritiva] a menor relação deste hotel com a envolvente". O vereador socialista Alípio Magalhães realçou ser de apoiar a "renovação de uma unidade hoteleira nesta altura crítica".

Já o vereador Pedro Mendonça lembrou que "o Hotel Paris teve e tem a sua relevância em termos da identidade histórica do Estoril e do próprio património edificado da zona". O autarca da CDU não é contra a requalificação do hotel, mas defendeu que se devia "procurar conservar a sua fachada, porque paulatinamente se está a apagar a memória histórica do edificado não só do Estoril como de Cascais". Pedro Mendonça justificou ao PÚBLICO o seu voto contra por se tratar de mais uma ameaça à imagem da principal estância balnear do concelho, apontando como outros exemplos negativos os projectos para o Hotel Atlântico e para a ruína do Miramar. "Se se vir bem, do antigo Estoril pouco mais resta do que as arcadas do parque e o Hotel Palácio. O Hotel do Parque e as Termas já desapareceram, o [centro comercial] Cruzeiro está ao abandono, enfim, por este andar qualquer dia já não resta nada", argumentou no executivo.

Edifício não classificado
O vice-presidente da câmara salientou, por seu lado, que se trata de um edifício que não está classificado e "que está degradado, onde há um operador privado que, a continuar nas mesma condições, não consegue operar e portanto dizer-se que basta fazer uns arranjos interiores não vai tornar a exploração daquele hotel rentável". Miguel Pinto Luz (PSD) considerou que não lhe parece haver ali "património arquitectónico a proteger" e salientou que o projecto permitirá resolver parte dos problemas de estacionamento e circulação na zona e requalificar a envolvente do hotel.

O presidente da câmara, Carlos Carreiras, explicou que "não foi fácil chegar a este ponto, porque as intenções dos investidores eram muito superiores" ao que foi apresentado ao executivo, mas a operação "vai permitir uma requalificação da entrada do Estoril que hoje é uma vergonha e vai aumentar os postos de trabalho". Em declarações ao PÚBLICO, o autarca do PSD reforçou que a autarquia "tem todo o interesse na requalificação e valorização das unidades hoteleiras" do concelho. No caso do antigo Hotel Paris, frisou, o imóvel não está classificado no catálogo de inventário do património e a solução proposta será associada "a um plano de requalificação do espaço público naquela que é uma zona de acesso nobre ao Estoril".

O promotor, adiantou Carlos Carreiras, ainda terá de apresentar os projectos de especialidades e outros pareceres, mas o autarca não prevê dificuldades na aprovação final e no licenciamento do projecto. Do actual imóvel, esclareceu, será "demolida uma parte para se construir as caves", e o eleito social-democrata espera que os trabalhos possam avançar o mais breve possível.

O PÚBLICO contactou a cadeia Sana para saber mais pormenores acerca do investimento, mas não obteve resposta por "não ser oportuno", nesta fase, proferir quaisquer comentários.

Thursday, March 22, 2012

Enquanto isso, no Dia da Árvore:



Em São João do Estoril, foi assim. Em cima, fotos do lote junto aos semáforos, defronte ao Forte do Instituto de Odivelas (aquele monumento ali, filipino, assim entregue... quando é que saem de lá?), provavelmente para mais 1-2-3 moradias, o que der e a CMC permitir, claro. Entretanto, adeus pinheiros. Em baixo, várias podas à portuguesa.



Chegado por e-mail:

«Hoje ao passar na marginal em S. João deparei-me com estas fotos do pinhal que existia ali na quase totalidade derrubado. Parei o carro e fotografei. Os "madeireiros" ainda lá estavam e disseram-me que o terreno era privado por isso o dono tinha o direito de fazer o que bem entendesse. As outras 2 são exemplos de como ainda se podam as árvores em Cascais transformando-as não em árvores mas em caricaturas. Tudo isto porque hoje se comemora o dia da Árvore. Em Portugal seria melhor chamar-se o "dia da motoserra"!!!
TS»

Tuesday, March 20, 2012

Enquanto isso, mais cortes de árvores na Malveira?


Fonte: Vimeo/PCanelas

Mata dos Dragoeiros de Cascais passa a ter Bilhete de Identidade

Chegado por e-mail:

«Quarta-feira, 21 de março, às 15h30, será entregue o Bilhete de Identidade da Mata dos Dragoeiros de Cascais. Localizado no Parque Palmela, em Cascais, este maciço, que acaba de ser classificado como de interesse nacional pela Autoridade Nacional Florestal (Aviso n.º 5/2012), passa a dispor de um Bilhete de Identidade onde constam dados como as características da espécie, motivos de classificação, entre outros.

A entrega do documento realiza-se às 15h30, na zona de entrada do Parque Palmela (Chão do Parque) e contra com a presença de Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, e de Campos Andrada em representação da Autoridade Florestal Nacional.

Melhores cumprimentos, Fátima Henriques Gabinete de Imprensa
Departamento de ComunicaçãoCâmara Municipal de Cascais»
...

Bem que a CMC podia mencionar os "terroristas urbanos" que solicitaram a classificação ...

Já estão classificados os dragoeiros à entrada de Cascais


«Associação Cidadania Cascais

Exmºs Senhores

Local: terreno anexo ao Parque de Palmela
Freg.: Cascais
Conc.: Cascais

Comunica-se que o maciço de dragoeiros proposto para classificação por V.Exªs em 13/09/2010, dirigido à Autoridade Florestal Nacional, passou a constar no registo de árvores de interesse público como conjunto notável de características únicas em Portugal continental. Em anexo segue o respectivo Aviso de classificação.
Agradecemos o empenhamento dessa Associação na procura e defesa destes exemplares únicos.

Os nossos melhores cumprimentos

O téc
C.Andrada
»

...

Mto. obrigado à AFN!!

Tuesday, March 13, 2012

Um hotel do Estoril que deu um livro

Por volta de 1898 já existia no Estoril um Hotel de Paris. Os três corpos do edifício, então situados junto ao Convento de Santo António, não passavam de três pisos. Na década de 1930, na estância balnear conhecida como "Riviera portuguesa", já existia à beira da Marginal um novo Hotel Paris, que ostentava janelas de pé alto, nos seis pisos da fachada levantada até ao meio do telhado, aproveitado em "águas-furtadas". Já lá estava o moinho de tirar água, mantido ao lado do outro imóvel que o substituiu, em meados do século, de traça mais horizontal. A imagem desta reconstrução, sem data ou autor, não difere muito da actual, a não ser pelos dois pisos acrescentados e pelo novo nome: Hotel Sana Estoril. Perdeu o glamour da época dos espiões e, mais recentemente, acolheu portugueses "desterrados" das ex-colónias, como a autora de um livro sobre "o retorno". Uma nova página da sua história que está no prelo...
Por Luis Filipe Sebastião, Público de 11 Março 2012

Wednesday, February 29, 2012

Proprietário quer demolir centro comercial Cruzeiro para construir prédio de habitação

in Público, 29 Fev 2012.Por Cláudia Sobral

Projecto de arquitectura ainda não foi apresentado na câmara, mas o presidente da autarquia considera que edifício não tem de ser preservado a todo o custo

Monday, February 27, 2012

Edifício construído e nunca acabado para a PSP de Cascais vai provavelmente ser demolido

Treze anos depois de a obra ter sido entregue a uma empresa de um amigo de Sócrates, o edifício que se destinava à PSP de Cascais está em vias de ir abaixo
in Público.


O edifício de grandes dimensões que começou a ser construído há 13 anos para acolher a Divisão da PSP de Cascais e nunca foi acabado vai provavelmente ser demolido, afirmou ontem o presidente da câmara local, Carlos Carreiras. Em alternativa, a polícia, que se encontra há décadas num espaço sem quaisquer condições, irá ocupar, em data ainda desconhecida, o antigo Quartel Militar da Bateria da Parede, recentemente comprado pela câmara ao Estado.
Carlos Carreiras já tinha manifestado, no início do mês, a intenção de contribuir para que a PSP deixasse as instalações "degradantes" e provisórias em que está há mais de 60 anos, confirmou agora à Lusa que a divisão vai ser transferida para o antigo Quartel da Parede. "Já fechámos o acordo com o Ministério da Administração Interna (MAI), que apoiou também a decisão camarária de fornecer à PSP um conjunto de materiais de segurança dos agentes", disse o autarca. Segundo noticiou na semana passada o Jornal da Região, citando o autarca, o edifício da antiga Brigada Fiscal, junto à lota de Cascais, acolherá também uma esquadra territorial e um serviço policial de apoio aos turistas. A decisão de realojar a PSP, disse Carlos Carreiras à Lusa, deverá obrigar à demolição do controverso "edifício amarelo", um complexo de seis pisos que começou a ser construído em 1999 na Av. Engenheiro Adelino Amaro da Costa, perto do tribunal da vila, para acolher todos os serviços da divisão de Cascais.
O edifício, cujas obras nunca foram acabadas devido a problemas com os sucessivos empreiteiros e foi inicialmente muito contestado por causa da sua volumetria, já custou dois milhões de euros, disse o autarca. E para se terminar a obra seria necessário gastar, pelo menos, mais cinco milhões de euros, acrescentou.
"A indicação que temos é de que o edifício já não tem condições e investir um valor desses seria uma má decisão para recuperar uma coisa que à partida não é recuperável, portanto o mais provável é que seja demolido", explicou, frisando, no entanto, que ainda será feita uma avaliação técnica para apurar a segurança e a funcionalidade do imóvel.
A saída da PSP das actuais instalações e a eventual demolição do "edifício amarelo" estão contempladas num protocolo que será assinado a 13 de Março pela autarquia e pelo MAI e que se prende com a reorganização das forças de segurança em Cascais. Além da divisão de Cascais, no Quartel da Parede vai passar a funcionar a Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial e ainda a Esquadra de Investigação Criminal. O plano prevê ainda uma nova esquadra na Abóbada e novas instalações para a PSP da Parede e de Carcavelos.


Amigos de SócratesA construção do quartel da PSP de Cascais foi uma das 17 grandes obras que o MAI adjudicou entre 1996 e 1999 à Conegil, do Grupo HLC (cujo fundador aguarda julgamento por corrupção no processo dos resíduos da Cova da Beira), e do empresário Carlos Santo Silva, um amigo chegado de José Sócrates. As adjudicações em causa foram feitas pelo GEPI, um serviço do MAI então dirigido por António Morais - engenheiro que foi nomeado por Armando Vara para essas funções quando era professor de Sócrates na Independente e está também acusado de corrupção no caso da Cova da Beira. Além de entregar a obra de Cascais à Conegil, por 2,8 milhões de euros, Morais adjudicou a sua fiscalização a Joaquim Valente, actual presidente da Câmara da Guarda e igualmente amigo de Sócrates. A obra foi abandonada em 2002, falindo a empresa com dívidas de 20 milhões de euros, dos quais 1,6 ao MAI. Os trabalhos foram mais tarde retomados por um outro empreiteiro que também a abandonou sem a acabar. J.A.C.

Via ASRC

Friday, February 24, 2012

Cruzeiro: demolição iminente?


Tapumes em volta= camartelo em breve? Mas por que não se indigna ninguém? Bom, talvez porque realmente sejam muito poucos os que prefiram um CCCruzeiro dos anos 40 reabilitado a um novo quarteirão pós-modernaço, cheio de moradores, carros e um novo cruzamento/rotunda. Ah, parece que há um riacho lá por baixo e por isso a coisa que está pode cair, mas a nova não, mais os estacionamentos em cave. Nada que a engenharia e o bom gosto não resolvam, certamente...

«Construção do Arquivo Histórico avança no Verão»

In Jornal da Região (22/2/2012)

«As obras de construção do Arquivo Histórico de Cascais na Casa Sommer, inicialmente previstas para 2006, vão arrancar no início do Verão, devendo-se o atraso ao processo burocrático de expropriação do imóvel. Numa nota escrita enviada à agência Lusa, a vereadora da Cultura da Câmara de Cascais, Ana Clara Justino, refere que o processo tem sido mais lento devido a burocracias para aquisição do imóvel.

"Trata-se de um caso complexo em que a Câmara de Cascais adquiriu parte do imóvel e desenvolveu um moroso processo de expropriação para a restante propriedade. Só desde Dezembro de 2011 foi possível chegar a acordo com os restantes herdeiros da Casa Sommer, pelo que só nessa data a autarquia se tornou proprietária de pleno direito da mesma", esclareceu Ana Clara Justino.

Segundo a vereadora, os adiamentos sucessivos para o início da obra, que deveria ter arrancado há seis anos, foram fruto de "vicissitudes de natureza burocrática e legal" impossíveis de ser evitadas. "O processo tem decorrido de tal forma lenta que a Câmara Municipal de Cascais, procurando ganhar tempo, lançou antecipadamente o concurso público para a obra de reabilitação da Casa Sommer – Centro de História Local/Arquivo Histórico Municipal de Cascais e que está na sua fase final", acrescentou.

Ana Clara Justino apontou ainda o terceiro trimestre de 2012 para o arranque da obra que terá o prazo de execução de 18 meses, devendo estar concluída no início de 2014 e aberta ao público no mesmo ano. O novo Arquivo Histórico de Cascais implica um investimento de 2,3 milhões de euros, 1,88 milhões pela obra e 500 mil euros em equipamento.»