Friday, October 06, 2006

Um «russo» da Garrett, s.f.f.!

Enquanto cliente da Pastelaria Garrett desde os meus dentes de leite de 1968, morria de curiosidade em confirmar as notícias que colunáveis e anónimos deram ao longo do dia seguinte às mais recentes obras por que passou aquela que é a única casa de bolos e salgados de que vale a pena falar em toda a linha do Estoril. Por isso, passada a excitação pública e a publicidade esquisita que notáveis deram em prol das por mim dispensáveis «pratas» da casa, resolvi ver se os efeitos daquelas tinham dado para o torto ou para o direito. Visualmente, dentro da marquise, as notícias foram boas q.b., apesar daquelas assustadoras cadeiras transparentes, em plástico maciço, que o mais simpático dos actuais empregados me diz terem sido copiadas pela decoradora, de uma pastelaria chique parisiense. E por fora, também, a coisa não choca muito apesar d o patamar-esplanada acrescentado ao prédio do lado estar incompreensivelmente desnivelado e vedado por vidro alto, mas sem se desenquadrar muito do conjunto; não é o ideal, mas está claramente acima da média. O pior, contudo, vem das alterações no interior: o salão foi recheado com cadeiras pomposas e sofás dourados, em capitoné, e foi acrescentado um bar na zona nova, que nada tem que ver com o que é/foi a Garrett: uma excelente pastelaria (sem serviço de restaurante), despretensiosa, onde veraneantes à desportiva convivem alegremente com pulseiras de ouro e cabelos bem oleados (por sinal, o senhor do meu lado deglutinava o seu bife com batatão frito, arroz e salada (!), com os cotovelos no ar, prestes, talvez, a apanhar algum vôo para Bruxelas...). Mesmo assim, a Garrett continua com a sua imagem de marca pelo chão: papéis e migalhas. Sempre foi assim, mesmo no tempo da genuína Garrett, em que os criados - assim mesmo - usavam farda de casaco branco e calça preta, um deles tinha unha de guitarrista. Tenho saudades da irreverência e má-criação do Sr.Abrantes, o último dos moicanos. Mas mesmo assim, não deixarei de alimentar o meu vício semanal: brioche com fiambre (em alternativa, rissol ou folhado de salsicha), e o «russo» da ordem (atenção: diga-se que o verdadeiro nome daquele bolo é mil-folhas com chantilly!), ou, em alternativa, o «quadradinho-de-moka» ou o «henriquinho». De beber? Ora, o que interessa ali é o pasteleiro, e enquanto ele ali estiver, passarei pela suprema prova de «voyeurismo» que é ir àqueles w.c. forrados integralmente a espelho, impróprios para carecas e envergonhados do viril, e com iluminação inteligente. Ninguém com mais bom gosto quer contratar aquele pasteleiro?

PF

2 comments:

Joe Bernard said...

Gostei.
Por muitas razões, sendo para mim uma que sobressai sobre todas: Não tem erros de português!!!
Parabéns!

Anonymous said...

Não gostei! Não foi do post que não gostei... foi da remodelação da Garrett: "apalhaçada", de pretensiosíssimo "bom-gosto" muito novo-rico, com laivos de "désign" para lhe dar um toque modernaço e 'tá na moda (tá a ver?) ... ou para promover junto da clientela o gosto pelos produtos da loja do grupinho de sempre, sediada no cascais shopping (antiga "habitat" e actualmente "area infinito"). Uma completa parvoíce! Só ultrapassada pelo confrangedor estado do comércio na zona antiga de Cascais. O comércio na rua direita é de fugir! Uma profunda tristeza! Cascais está hoje ao nível de uma pequena povoação piscatória Grega: "neo-marmaras". Ali para o norte, quase Turquia, perto de Salónica. É triste. Ponto final!
PP (antigo cliente da Garrett, cliente de outras partes desde a remodelação)