Tuesday, September 11, 2007

Quinta do Cabo Submarino em Carcavelos.

Carcavelos 11 de Setembro de 2007

A zona do Cabo Submarino em Carcavelos (1), é o único espaço verde junto à Marginal que ainda hoje subsiste entre Lisboa e Cascais.

Quando os Ingleses implementaram em Portugal o sistema de comunicações, que passou a ligar Portugal ao resto do Mundo, escolheram Carcavelos para o centro nevrálgico de instalação dos cabos (2).

Mais tarde em 1932, foi fundado o Colégio Inglês (St' Julian Scholl) que ainda hoje se encontra em actividade e que tinha por função não só servir os técnicos que se encontravam deslocados em Portugal, como as famílias inglesas que se instalaram na Linha de Cascais (3).

Rodeando as antigas instalações do Cabo Submarino e do Colégio Inglês, existe uma mata frondosa e belíssima (4), que está completamente abandonada e cheia de lixo, não só pelo desleixo a que tem sido votada, como pela má utilização feita pelos veraneantes, que aí realizam pic-nic's. A não existência de caixotes de lixo tem como é óbvio facilitado este estado de coisas.

Igualmente existem junto à Marginal algumas casas particularmente inestéticas que foram usadas pelos ocupantes do Cabo Submarino e que hoje servem para tudo e mais alguma coisa (droga, prostituição, abrigo, etc.).

Desde à alguns anos a esta parte a pressão exercida pelos construtores e que tão bem conhecemos, sobretudo pelos maus exemplos de que a Linha é fértil, têm-se intensificado sobre esta zona, em que desde planos que implicavam o total abate da mata, até outras soluções mais ou menos mirabolantes ou mal disfarçadas para espaços habitacionais e escritórios têm sido levantadas.

Pergunto de uma forma naturalmente ingénua, porque não aproveitar as instalações existentes, que são grandes espaços, para a criação de um museu, ou um centro cultural, ou um centro de arte, ou para espectáculos (existe um palco) e as casas anexas para outros tipos de actividades (apesar de inestéticas sempre serão melhores do que algumas soluções que nos têm surgido) e que poderiam incluir, mostras, lojas, aulas diversas ou ainda restauração, tornando a mata habitável e frequentáveis por quem queira passear, ou abrigar-se do Sol de verão e porque não também para um passeio nocturno.

A zona descampada, não poderia ser aproveitada para actividades desportivas e de recreio para jovens e adultos, com beneficio evidente da população da Linha ou de quem a visite e que na quinta já existiram.

Penso que podemos estar a desperdiçar uma oportunidade excelente de aumentar a qualidade de vida na região a troco de mais uns quantos prédio, provavelmente condomínios fechados, ou mamarrachos como o que querem colocar a substituir o antigo Estoril-Sol, onde não discuto a qualidade arquitectónica, mas a localização e forma agressiva para aquela zona (não se tinha dito que seria um espaço arquitectónico pequeno, ou foi só impressão minha?).

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(1) - Os terrenos hoje conhecidos por Quinta dos Ingleses, ou Quinta Nova, era desde séculos também conhecidos por Quinta da Lobita. Tendo chegado a produzir nos seus tempos áureos cerca de 500 barris de vinho por ano.

(2) - A Companhia do Cabo Submarino Inglês tomou posse da quinta em 1872, instalando na casa senhorial aí existente datada dos meados do Sec. XVIII mandada construir por José Francisco da Cruz, os seus escritórios. A venda fez-se na altura por 23 contos.

(3) - Por inerência desta população foi fundada a agremiação desportiva (Ingleses do Carcavelos Club), tendo dado origem ao primeiro campo de futebol do País. Acabaram por surgir também outras modalidades como o criket, o golfe e o ténis tendo neste caso o Rei D. Carlos disputado aí diversas partidas.

(4) - Em determinada altura foi particularmente cuidada pelo motivo da falta de carvão no tempo da guerra.

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Sites consultáveis e utilizados como fonte de informações:

http://atelier.hannover2000.mct.pt/~pr200/1-sj-Entrada.htm
http://pwp.netcabo.pt/carcavellos/historia.htm
http://www.cm-cascais.pt/Cascais/Cascais/Historia
http://bocc.ubi.pt/pag/santos-rogerio-historia-telecomunicacoes.html
http://www.cif.org.pt/Pages/Clube/Historia/Historia.htm


Jorge Morais

5 comments:

J.N.Barbosa said...

É imperioso que aquele espaço não seja ocupado pelo tijolo e betão. Deverá ter um estacionamento em apoio à praia e um parque com facilidades várias que preserve a memória do lugar, que inclui aquelas casas feias em estilo inglês.

Anonymous said...

que ignorancia ou má fé.....é mesmo não conhecer a história contemporanea de Cascais.
Só mesmo de quem só agora descobriu o amor a Cascais.
Duas pistas:
Vão ver o que a Roseta assinou em escritura publica e os acordos do Judas

J.N.Barbosa said...

Não percebo tanta ofensa! Não seria melhor explicar-se em vez de tanto azedume? Já agora, porque é que é anónimo?

Anonymous said...

Há décadas que aquele espaço me surpreende, não por o estado de total abandono e desleixo, mas por ainda não estar ocupado por betão e tijolo. Oxalá nunca o seja. Ali está uma enorme oportunidade de fazer algo PARA TODOS e para o USUFRUTO DE TODOS....a não perder!


JA

Anonymous said...

Sinceramente tenho a maior das dificuldades em perceber a "onda" que se quer cavalgar neste processo. Presumo que muitas pessoas sejam enganadas pela desinformação que corre, pela omissão deliberada ou que sejam genuinamente desinformada, senão vejamos: Há um terreno que foi comprado por uma empresa privada já com direitos atribuídos de construção pela CMC e pelas entidades competentes, num processo que já tem 50 anos. Esse processo foi entretanto derimido na justiça estando em causa o direito dos privados a serem ressarcidos pelos prejuízos num valor de quase 300 milhões de Euros, valor que obviamente levaria a CMC à falência. Foi conseguido através da mediação a redução da volumetria e a construção de vários espaços verdes e outros de utilidade pública que vêm dar usufruto a um terreno que não é nem nunca foi desfrutado pela população. Entretanto há muita gente contra o projecto, alegando de tudo, desde corrupção o que é hilariante uma vez que o projecto já tinha sido aprovado há décadas, há até quem alegue que destruirá as ondas, a praia etc. obviamente por não conhecer inúmeras praias urbanas com excelentes ondas para a prática do surf, mas sobretudo não percebendo o que está em causa aqui. E o que está em causa é a possibilidade de uma decisão judicial provavelmente ir obrigar a a CMC ser responsabilizada pelo pagamento de uma indemnização que não tem como pagar, a par da execução do projecto, até podendo mesmo, caso não haja acordo, os proprietários poderem reclamar os direitos originais. É óbvio que toda a gente preferiria ali uma zona verde e espaços para usufruto da comunidade, mas a verdade é que esses espaços teriam que ser públicos e portanto comprados por uma autarquia que obviamente não tem dinheiro para o fazer. Tal como é óbvio que Cascais foi vitima do desvario da corrupção, sobretudo no mandato de Judas, mas também de Helena Roseta e D'Argent, que redundaram na gigantesca quantidade de betão que existe um pouco por todo o concelho, mas também há que reconhecer que neste momento é preciso ser pragmáticos e minimizar o impacto e os danos financeiros para o concelho.