Wednesday, September 29, 2010

Autarca de Cascais critica recuo da CP na aquisição de 36 novos comboios

In Público (29/9/2010)

«O presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, considera que a anulação do concurso para a aquisição de 36 novos comboios para a Linha de Cascais, anunciada pela CP, é um "problema muito grave".

A situação "é de grande gravidade e mostra bem como o país está a funcionar", afirmou o autarca, na reunião da Assembleia Municipal realizada anteontem, em Cascais. O autarca recorda que o Governo anunciou, em Março de 2009, a aquisição de novas composições "mais confortáveis e que implicariam um ganho de 39 por cento para a Linha de Cascais". Ontem, na sequência da notícia do PÚBLICO sobre o recuo da transportadora, o presidente da CP, José Benoliel, esclareceu que não é possível alugar material circulante para esta linha e que a compra é mesmo a única opção. Porém, acrescentou, "não há data para a aquisição" e, por isso, "esta situação faz deslizar o prazo inicialmente previsto para a substituição do material circulante, nomeadamente na Linha de Cascais, onde é mais antigo".

Perante a anulação do investimento de 370 milhões de euros - dos quais 180 milhões estavam destinados à remodelação da Linha de Cascais -, António Capucho mostrou-se indignado com o facto de a decisão não ter sido comunicada à autarquia. "Andam a brincar connosco com investimentos megalómanos que nem se vão realizar", criticou, referindo-se ao TGV. "Promete-se a Cascais a renovação da linha, que tem mesmo de acontecer por uma questão de segurança, e afinal foi tudo suspenso sem sequer se informar a câmara", reclamou.

A CP excluiu as quatro empresas candidatas ao fornecimento de 49 novos comboios (36 para a Linha de Cascais) depois de ter concluído que "as propostas dos quatro concorrentes não cumpriam todos os requisitos". PÚBLICO/Lusa»

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Bom protesto do Presidente da CMC a mais uma má acção da CP. Mas, muito sinceramente, gostava que a mesma indignação e o mesmo pundonor se verificassem no que toca à defesa intransigente do património edificado do concelho e dos seus espaços e zonas verdes, e da sua "silhueta", vide Monte Estoril, por ex. E isso não acontece, o que é uma pena.

4 comments:

scheeko™ said...

Perdoem-me a ignorância, mas o que é um "ganho de 39 por cento para a Linha de Cascais"?

E as actuais composições têm que idade? No máximo, 15 anos, talvez? É assim tão necessário renovar a frota?

Anonymous said...

Bom protesto. Mas já agora só uma pergunta: há quantos anos o nosso AC (autarca/conselheiro) não anda de comboio?. Se desse o exemplo e andasse mais de comboio talvez a CP se tivesse inibido de fazer o que fez. Se o AC andasse mais de comboio (como acontece com muitos ministros por essa Europa fora) talvez a Câmara/nossos impostos tivesse evitado gastar uns largos milhares de Euros com a troca de um AUDI topo de gama por um Mercedes igual ao do presidente da República. O que em tempo de crise seria de louvar. Como não foi...

João Fragoso.

José M Costa said...

Scheeko, o material circulante da Linha de Cascais é bastante... "peculiar". Aliás, a própria Linha é peculiar.

Antes de mais, é de referir que o material que lá anda é exactamente o mesmo que lá andava há vinte anos atrás. Simplesmente mudou-se o aspecto e os interiores e meteu-se ar condicionado. A estrutura de aço, os motores, os bogies e demais componentes "técnicas" são exactamente os mesmos.
Uma boa parte das carruagens tem leitos (ou seja, chassis) muito antigos... estamos a falar do final dos anos 20, ou seja, cerca de OITENTA anos! Correspondem aos leitos das primeiras composições eléctricas que circularam naquela linha, e que foram entretanto reaproveitados.
(identificar estes leitos é fácil, basta procurar nas carruagens-piloto, ou seja, que têm cabina de condução, as que têm uma "armação" que vai da parte de baixo da carruagem quase até aos carris)
Se não contarmos com estes leitos quase centenários, mais ou menos metade do actual material foi construído por volta dos anos 60. Portanto, CINQUENTA anos.
Finalmente, há material que foi construído já nos anos 80, e que tem à volta de TRINTA anos.
E note-se que estamos a falar de material que está quase sempre a circular numa linha bastante agressiva em todos os aspectos!

O tempo de vida útil típico para um comboio é de 30 anos. Eventualmente, com uma modernização bem feita, pode-se esticar mais uns anos.

Frisei o "bem feita", e não foi por acaso. É que a modernização acrescentou muito peso àqueles comboios (os aparelhos de ar condicionado, enormes, e os novos interiores também são mais pesados) mas não melhorou os motores!
Resultado? Hoje temos comboios com problemas estruturais e de segurança (pela idade), de desempenho (pela desadequação da motorização em relação ao peso) e de conforto sonoro (e não só).
Como se tudo isso não bastasse, ainda há um bónus: a linha de Cascais tem características tão diferentes da restante rede ferroviária que quase não se consegue colocar nenhum outro material da CP a circular lá. A electrificação é diferente, a altura das plataformas é diferente, o gabarito é diferente...
Por tudo isto, é urgente comprar material novo.

Quanto ao tal "ganho de 39 por cento", também não sei o que isso significa. Se calhar, nem o autarca...

Anonymous said...

As composições foram modernizadas entre 1998 e 2002, têm portanto entre 8 e 12 anos.

Mas elas APENAS foram modernizadas. Na verdade, já existiam desde, espante-se, 1926.

Alguns dos chassis dos comboios de Cascais (nota-se de forma evidente nas carruagens viradas para o lado do Cais do Sodré uma estrutura tipo varão/esticador por debaixo da carruagem) já pertenciam às primeiras automotoras eléctricas de madeira, de 1926, e que foram sofrendo modificações e modernizações ao longo dos anos, sendo as mais relevantes a "metalização" nos anos 70 e a modernização tal como a conhecemos hoje no final dos anos 90.

Outros chassis pertencem a material adquirido novo nos anos 60 e 80 e modernizado para a forma actual no fim dos anos 90.

Ou seja, é material obsoleto e que neste momento dá de si a cada quilómetro que percorre.