Monday, June 29, 2009

O PARECER QUE É

Eu já aqui tinha feito uma reflexão sobre o cimento, e a forma como o cimento se enquistou no nosso conceito de país moderno. Hoje venho aqui dar continuidade a essa reflexão. É que não sei se já repararam mas as obras estão aí em grande pujança desde o início do ano. Um pouco por toda a parte despeja-se alcatrão, remendam-se passeios, reorganizam-se rotundas. Tudo isto seria normal, e até apreciável, se fosse resultado de uma preocupação séria, por parte do executivo camarário, em melhorar o quotidiano dos seus munícipes. Mas a verdade é que este impulso de obras à pressa e em quantidade, é apenas mais um daqueles truques próprios do marketing político. Os parvos, que somos nós, são o alvo destas campanhas. Os parvos vão "comer com os olhos" e esquecer os últimos quatro anos. E quando forem às urnas escolherem o próximo presidente de câmara, vão levar no seu subconsciente o cheiro a alcatrão e o barulho da pedra de calçada a ser martelada. Na verdade, foi sempre assim. Na verdade, os parvos nunca deixaram de ser parvos. Precisamente porque essa ideia de "obra feita" revela-se como uma representação desse tal conceito de modernidade (e como nós gostamos de ser visceralmente modernos), resultando daí uma associação quase espontânea entre competência política e esta forma de fazer obras. Veja-se, a título de exemplo, o caso de Oeiras em que perante as suspeitas que recaem sobre Isaltino de Morais, os munícipes fazem uma espécie de absolvição política pelo pretexto da tal "obra feita". Aliás, esta encenação traduz-se num «parecer que é» precisamente para não mostrar o que realmente é, ou seja, uma autêntica treta. Enquanto não percebermos que isto está tudo armadilhado, e que este «parecer que é» não passa de uma mentira, então este espectáculo de marionetas vai continuar, e blogues como este vão continuar a lamentar os blooms de insensatez nos negócios entre o município e as empresas do cimento e do alcatrão.

5 comments:

Vindix said...

Concordo em absoluto. É pena que a maioria ainda pense que desenvolvimento é betão e alcatrão. Quando o turismo ecológico e ambiental está em franco desenvolvimento, quase duplicando a cada ano nos locais que nele apostam, em Cascais continua-se a elaborar políticas à anos '50 '60, presos numa óptica do pós-guerra, sem compreender verdadeiramente os movimentos contemporâneos do séc. XXI. Cascais tem um potencial fantástico para turismo ecológico e perde-se, estupidamente, a tentar atrair turismo sénior, de luxo, que terminará brevemente, pois as novas gerações desses países já não estão interessadas
em betão.

Quanto à tal «obra feita», como bem menciona, estamos a entrar claramente na falácia brasileira do: "Roubo mas faço!"; em que os eleitores são postos entre duas (falsas) opções: votar em quem rouba e não faz vs. votar em quem rouba mas faz...

Pedro Partidário said...

subscrevo a visão do Ricardo.

Pedro said...

Concordo plenamente....

Anonymous said...

LOBO VILLA ,2-7-09
Ricardo Reis (podia ser o poeta)diz e bem "os parvos nunca deixaram de ser parvos " ,acrescentando eu que continuam a ser,vendo os Avelinos,as Fátinhas, os Isaltinos, os Judas,os Jardins...ou seja os maiores caciques ,a crescerem !
Este povão adora-os...mais o chico-espertismo socratino...

Teresa said...

Alguém me sabe explicar porque é que as obras de restauro da Igreja de Cascais parecem ( estão??) paradas?