Monday, October 15, 2007

Chalet Montrose/ comunicado:




No seguimento de notícias vindas a público (in Público de 12/10/2007), segundo as quais estará em andamento um projecto urbanístico para a Vila Montrose, e porque está em risco iminente de destruição o último pulmão verde do Monte do Estoril, vimos manifestar o nosso mais profundo protesto pelo facto e apelar ao bom senso de quem de direito. Assim, cumpre-nos alertar os cascalenses e demais interessados para o seguinte:

1. Estamos contra mais este facto consumado! É tempo da população ser ouvida e as suas considerações serem tidas em conta por quem de direito.

2. É caricato que ao mesmo tempo em que a CMC promove exposições sobre "Monte-Estoril - Propostas de Salvaguarda", autorize projectos como este, que irá destruir, inevitavelmente, mais uma parcela do valioso património histórico-cultural-arbóreo do Monte-Estoril. Lembramos que a CMC dispõe de inventários que vincam bem a importância (do que resta) da arquitectura civil deste período, como por exemplo no catálogo da exposição "Patrimónios de Cascais", realizada em 2003: "No caso da vila de Cascais, Alto do Estoril, S. João do Estoril e Parede, a arquitectura de veraneio dos finais do século XIX e princípios do século XX assume-se num contexto urbano, apresentando o prédio inserido num pequeno jardim, ao invés do Monte Estoril, onde se pretendeu uma concepção do espaço como um extenso parque, pelo que a área verde em redor da habitações, para além de ser mais densa, é de maior extensão".

3. Cascais não se pode tornar cidade da América Latina! É preciso acabar com a proliferação dos condomínios fechados, que são contra-natura numa cidade que se pretende moderna, feita de bairros residenciais, comércio de proximidade, mobilidade facilitada, oferta cultural e espaços de lazer ... atractivos para um turismo de qualidade.

4. Basta de projectos urbanísticos de grande dimensão encapuçados de «reabilitação» à la famigerado projecto do «Chalet da Condessa», na Bafureira. O património precisa de ser recuperado e restaurado, independentemente das novas valências que seja preciso introduzir, por força do progresso, mas estamos contra este tipo de «reabilitação», sinónimo de perda de identidade e de qualidade de vida.

5. No seu artigo "Sobre a Arquitectura do Monte-Estoril, 1880-1920", a Profª Raquel Henriques da Silva descrevia a Vila Montrose da seguinte maneira: "Embora empobrecido, este chalet é o que MELHOR transmite uma vivência ambiental, enterrado num quase ninho de vegetação densa, enquadrado em ruas que são ruelas, para elas aberto através dos ângulos irregulares das velhas pedras que desenham muros comunicantes."

O jardim de estilo "romântico" da Montrose é um dos maiores e mais bonitos jardins de todo o concelho de Cascais, e um dos últimos que demonstra como era o Monte-Estoril do século XIX. É uma pena que a Câmara não tenha exercido o seu direito de preferência aquando da venda do imóvel em 2003 para criar um jardim público para todos usufruirem.

4 blocos de 4 pisos à volta do chalet Montrose?!!

Cascais merece mais!


Fotos: JNB

1 comment:

Paulo Rodrigues said...

Escandalosa a gestão urbanística deste Executivo.

Continuam a destruir o Concelho com práticas onde os interesses privados estão sempre à frente dos interesses públicos e da comunidade, e tudo é sempre feito de forma pouco transparente.

Isto é (no mínimo) pouco democrático.

É uma pena que gestão após gestão os resultados apresentem-se cada vez mais catastróficos.

Uma lástima... Esta forma de pensar "o futuro" acabará por nos destruir o passado. E em nenhuma sociedade que se queira moderna e
evoluída este conceito é aceitável.

Vale sempre lembrar Millôr Fernandes:
“Lição grátis para os economistas: A ética precede a economia.
Aliás,a ética precede tudo”.

Pense nisto Sr. Capucho.